02/01/2012

Ano novo, Roupas novas

Alguns pegam papel e lápis pra fazer sua lista. Aquela das coisas que você vai fazer no próximo ano que começa e não passará do primeiro mês: dieta, ver mais os amigos, trabalhar menos.

Como sou mais subjetiva (e conheço minha capacidade de começar 10 frentes e terminar 3), decidi arrumar o guarda-roupa e escritório:

_Como eu posso ser tão desorganizada? _fiz uma careta e pensei alto com um saco de 100 litros já lotado de papel. Na minha frente, gavetas hermeticamente arrumadas por pastas catalogadas agora.
_Não! Você é organizada. _meu marido consertou, enquanto estava no laptop.
_Não! Não sou! Ser organizada não é um dia você arrumar o armário, mas um hábito, um modo de ser. _suspirei pesadamente. _Minha cabeça é confusa, meu espírito é confuso. Eu tenho um mundo dentro de mim.

Peguei quatro enormes bolsas da MyPlace coloridas de papelão e abri o guarda-roupa. As primeiras a caírem no fundo são mais fáceis de escolher. É quando a gente olha a vida e sabe exatamente com que pessoas não andar, que más sentimentos não ter, que tipo de coisa não se dizer. Simplesmente porque não cabe a você.

A segunda camada de roupas são aquelas boas, que você não sua porque tem outras melhores e ficam ali passadas e esquecidas. São como os planos bons que a gente não consegue tempo porque vai demandar esforço, subtrair o tempo de outras tarefas mais prazerosas. Então, esses planos são passados a limpo página a página da agenda pra frente.

A camada de cima, da boca da bolsa, é a mais difícil. São as roupas ótimas, novas e lindas, mas que você não usa muito ou não usa! Mas, se apega a possibilidade de um dia ter um evento para usar. Dane-se se não está na moda, custou uma fortuna ou você a acha bonita! Demora alguns segundos olhando, estudando, doendo, dobrando, sofrendo, embalando, desapegando.

Por que tanta energia negativa guardada? Por que tantas lembranças no meu coração que simplesmente não consigo matar? Por que me acompanharão pra sempre? Roupas ótimas sem uso são como memórias que querem sair da nossa cabeça e acontecer, mas nós lá no fundo sabemos que não é bom que aconteçam, mas guardamos.

Num ímpeto... num rompante de impulso, puxo os cabides e as jogo no chão, rápido, sem pensar, as que faltam. Uso? Não! Tchau. Uso? Quase nunca. Uso? Não! Foi. Sentei no banquinho e soltei o ar pesadamente. Vão todas vocês encontrar alguma menina que precise e as faça feliz.

Olhei o guarda-roupa com 20% das roupas que havia antes, vazio. Peguei um perfume Dolce Gabanna Suave e borrifei dentro generosamente. Fechei as portas. Agora, era hora de ir ao shopping e comprar roupas novas para preencher os espaços que abri.
É importante deixar os caminhos livres, limpos, arejados para entrar pessoas novas, passar por experiências novas, abandonar velhas crenças, velhas emoções doloridas. Mas, sem tristeza, com o perfume suave de um coração alegre que se predisponha a recomeçar.

Não acabou. Há ainda o quartinho de sapatos na área de serviço. Sapatos que apertam: saco. Aqueles grandes: saco. Aqueles de salto gasto: saco. “Sempre há um sapato para cada pé”. Diz o dito popular. Então, por que temos a cisma de calçar aquele salto alto que temos certeza de que vai nos encher de calos e machucados dos calcanhares só porque são bonitos? Por que esperamos conforto naquelas pessoas baixas que são só aparência, mas por dentro nos ferirão? Todas para o saco!

Pronto, agora há quase 2011 todo de roupas, sapatos e acessórios para doar e algumas reflexões guardadas no silêncio do meu coração.

Li Mendi

Um comentário:

Bia disse...

Muito bom, Li Mendi. Morri de rir aqui...hehehe....Uso? Não. Então, tchau....hahahaha...então, saco...hahahaha....preciso muito desse incentivo...rsrsrs...Valeuuu muitooo!!! Arrasou :) Bjs! Bia Melo