29/11/2011

Proteger nossa infelicidade

Hoje não estou feliz. Há muitas estações dentro de mim e nem sempre faz sol.
Eu estava sentada no sofá, luz do abajur ligada, barulho da panela de pressão na cozinha, lendo um livro em inglês.
_Você está estranha.
Como estranha? Pensei, limitando levantar os olhos do livro. O que tem de estranho o sofá, o livro, eu, a luz?
_Você não fica no sofá a essa hora, você não costuma ler aqui, seu sorriso está estranho.
God! Como eu era tão previsível assim? Testei negar, não convenci, mas mantive a quietude, o livro, o sofá, o silêncio. Seria isso? O silêncio? Eu sou capaz de ficar calada, vai. Era meu rosto, que deve ser ligado ao meu coração diretamente, revelando tudo contra mim!
Não debati. A tristeza faz parte. Foram só meia dúzias de palavras ruins que ouvi hoje de manhã, por que droga eu estava magoada?! Só palavras!
Deixei que sublimassem, elas virariam granulos no fundo do corpo. Não precisamos ser feliz sempre. Eu sei que meu não-sorriso incomoda, mas, às vezes as tempestades de verão dentro de mim drenam e arrastam, lavam e devastam. É renovador.
[Assim como protegemos nossa felicidade, temos também que proteger nossa infelicidade. Não há nada mais desgastante do que uma alegria forçada. Se você está infeliz, recolha-se, não suba ao palco. Disfarçar a dor é dor ainda maior.] Martha Medeiros
_Você está estranha, aconteceu algo?
Era melhor falar tudo, negar, dar uma mentira bondosa? Sorri e menti. Não é nada.
Vou escrever, lá a tristeza fica longe. Os escritores e poetas precisam de tristeza também.
[Nossa tristeza é uma energia que liberamos para curar. A tristeza é dolorosa. Tentamos evitá-la. Na verdade, descarregar a tristeza libera a energia envolvida em nossa dor emocional. Contê-la é congelar a dor dentro de nós. O sofrimento é o sentimento cicatrizante.] John Bradshaw

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