23/06/2011

Ciclos

Egoísmo: hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar.


Venho desconfiando de uma pessoa egoísta. Essa pessoa sou eu, o que aumenta minha reflexão. Foi um ano do egoísmo, mas não foi por mal, posso dizer por sobrevivência. Escolhi o MBA, o programa de Trainee me escolheu, o lançamento do livro simplesmente aconteceu e o meu casamento já estava tarde pra ser real. O problema era só uma pessoa pra executar a tarefa de passar os sábados o dia inteiro estudando, as noites na faculdade fazendo diversos cursos de extensão, as manhãs com o sol nascendo escrevendo, o dia inteiro trabalhando muito e o domingo sofrendo entre o querer dormir e o ter que fazer trabalhos. Quem sabe ainda daria se parasse aí e ainda não tivesse que ser esposa dedicada, com contas pagas, casa organizada, compras feitas, roupas organizadas nos armários. Mas, juro que não estou preocupada comigo. Vim aqui hoje pensando nos outros. O inferno são os outros.

Foi um ano em que dei não a todos, quase todos, que horror, convites dos amigos para sair. Era sair ou dormir. Não tem fotos de viagens, festas, noitadas, shows no meu álbum. Está vazio. Há muitas pilhas de livros, apostilas, papéis cadernos, mas nada de diversão. Eu pensei só em mim e também não me condeno, foi uma escolha. Por um tempo, prometi.

É uma escolha difícil negar a convivência pra proteger-se do estresse extremo. Temo por pensarem que me afastei, que é uma nova personalidade em que me transformei, que os esqueci. Mas, o cansaço é tanto, que deito na cama e durmo pedindo desculpas, mas é demais. Tenho habilidade de fazer mil coisas assustadoramente. Casar, editar livros, trabalhar loucamente, fazer MBA, fazer cursos de especialização, decorar apartamento, malhar constantemente é quase uma mulher maravilha!

Só começo a ver isso agora na reta final. Faltam 7 aulas pra pós acabar- e o plano de negócios vem aí com um projeto fantástico que já conseguimos verba pra implementar- , o trainee acaba no fim do ano –depois de 2 anos-, meu livro lança em outubro e o novo está incrível, a casa e o casamento são meu refúgio de felicidade. Não há muitas fotos, mas há bastante amadurecimento.

Minha terapeuta me disse essa semana que olha pra mim e vê muita evolução em tão pouco tempo. Também sinto que muitas coisas se rearrumaram dentro de mim. As prioridades agora são outras. Esse ciclo de dois anos e mais de 20 cursos punks se findaram.
Vem agora um novo ciclo que escrevi pra mim. Sem estudo, risquei da lista o mestrado executivo. Agora é hora de pensar no prazer de viver. Começo a estudar a minha festa de casamento (hum... já imaginando meu vestido de princesa, o casamento real com homens de espada e teto de aço como nos contos de fada com toda a pompa militar. Apesar da aliança, o papel e a casa, não dá pra passar sem a grande festa), já estou rascunhando as viagens pelo mundo a fora – e isso não incluí (eu ainda não risquei) ficar fazendo cursos lá –pra passear, ler muito, publicar meu segundo livro, malhar três vezes na semana (2 já está dando muito resultado, mas quero mais), e voltar a subir no salto e pintar os olhos em todas as noites de sábado com copo de drink na mão dançando até o dia amanhecer. [Filhos? Será no 3 ciclo... Eles já tem nomes, já tem até o quarto aqui em casa, já sabemos a escola onde vão estudar. Mas, terão uma mãe mais sábia, madura, equilibrada e feliz quando vierem para mais uma vida. Preciso prepará-los pra evoluir, afinal, eles terão dito sim a uma outra chance de encarnar pra aprender mais e eu não posso dá-los nada menos que a melhor guia espiritual que puder ser. Por enquanto, não consigo nem me guiar direito, God!]

Eu sei que dois anos depois já vou estar pensando loucamente no mestrado como se me sentisse a mulher mais burra do planeta, mas realmente quero parar de estudar. Foram 8 anos de duas faculdades, 2 de MBA, pelo amor de Deus, eu tenho que me exigir menos!
E essa foi uma das coisas que a terapia me ajudou muito, a ser um pouco egoísta sem me sentir o pior ser humano. A dizer não pra algumas coisas pra conseguir focar em outras sem desmontar. Parece que tenho que agora aprender a largar um pouco a agenda. Tive que organizar tudo em horários e respeitá-los com o rigor militar pra não deixar os pratos caírem. Esse fim de semana, por exemplo, organizei uma lista de muitas e muitas coisas pendentes. Joguei a agenda de lado, fiz uma bacia de pipoca, assisti filme e dormi de 4 às 8 da noite de baixo do edredom. Não foi produtivo? Não e eu preciso ser feliz assim.

Eu não estaria escrevendo aqui no diário se o sentimento de culpa não viesse de uma decisão a tomar. Amanhã, tenho encontro com minhas amigas. Decido descer pra piscina, tomar sol, ler e ter um dia de folga só pra mim – o que não faço há meses – ou vou revê-las depois de muito tempo? Não consegui decidir ainda. Como sou de impulso, deixo pra me perguntar amanhã.

Vou escrever um pouco no meu livro Aurora, de longe o que mais gostei de fazer. Bjs.

Um comentário:

Brina disse...

Oi Li, fiquei muito emocionada com seu desabafo, muitas vezes precisamos tomar decisões difíceis e que nem sempre as pessoas ao nosso redor compreendem. Mas já dizem os sábios, nada na vida e facil! Te desejo muita sorte nessa reta final, que seu livro seja um sucesso, com certeza será, alias já e. E pode contar sempre com seus fãs. Grande beijo.