14/10/2010

Todo dia tudo sempre igual.

A gente mora numa caixa, a nossa casa, sai dela dentro de outra caixa, nosso carro, e vai pra outra caixa, nosso escritório, ficar conectado em outra caixa, nossos computadores. A sociedade do conhecimento, que tanto foi louvada perante a sociedade de Taylor hoje convive com uma angústia: não tem mais tempo para pensar. Estranho. Não é essa história que nos ensinaram. Porém, há uma diferença entre pensar e agir maquinalmente como tomador de decisões sobre o teclado. Eu quero chamar atenção para o pensar com inspiração, que lembra respirar, arejar os pensamentos. "Todo dia fazemos tudo igual, acordamos às 6 horas da manhã e sorrimos um sorriso pontual...". Falta tempo pra ler revistas interessantes, livros, viajar, conversar longamente em um café com um amigo instigante. O tempo é o bem mais precioso.

Os produtos que estão a venda hoje promete vender economia de tempo, mas cada um somado toma justamente todo o nosso tempo. E ficamos como zumbis reproduzindo os mesmos discursos, repetindo os mesmos gestos, pensamentos. Eu sinto falta um pouco de quando a vida tinha mais poesia e eu podia pensar mais do que virar os parafusos. Mas, ainda resisto. Ainda leio no ônibus os livros que ninguém me mandou ler, as revistas que ninguém colocou na minha mesa, acordo cedo porque ninguém pediu pra escrever. Cada um sabe o que é liberdade, pra mim é pensar por mim mesma e criar o que não tem preço, a não ser pra mim.

Estou muito feliz com o projeto do meu livro que vou lançar. Ele é parte do que é genuíno, do que ninguém me paga para... É a minha essencia. Eu sou escritora e todo o resto é os 10% do que me faz feliz. Porque escrever é a minha plenitude.

Essa semana voltei a atualizar meus livros online, ao preço de acordar muito cedo pra isso, mas me sinto em paz comigo mesma, com coerência com meu eu.

Esse texto corrido é só pra dizer que demorei muito para reconhecer o que me preenche. Agora só falta mais um pouco de coragem. Pois pra ser o que se quer ser, é preciso muita coragem...

E vou pra minha caixa, pois preciso.

Bjs, Li Mendi.

Nenhum comentário: