03/06/2009

Quando no avião tem alguém que você conhece.

O avião caiu. É só isso que se fala na TV, jornais, rádios. Mas, quando alguém que conhece estava lá, o significado vai muito além das reportagens.

A baia do trabalho está intacta com as fotos, o computador, os ímãs. Tinha acabado de sair de férias. Tão sonhadas e merecidas! Sorriso no rosto, malas prontas. Porém, ela pegou o vôo e partiu pra sempre. Quando a lista oficial do acidente saiu, fez-se um silêncio no andar, as pessoas não falavam, só havia a tristeza, a perda, o nó ali no meio da garganta. Era uma de nós que desapareceu no fundo do mar.

Nesse momento, pensei na dor nas costas pela cadeira incômoda, na luz forte do computador, nos livros enfiados na bolsa pra estudar, na ligação pra o meu amor que adiava para o horário de sempre, à noite... Na vida tão programada que, às vezes, levo. Nos incômodos que acredito valer à pena. Não sei porque, mas tenho que acreditar que valem. Pode ser que antes do próximo “avião” não veja o retorno. E aí?

Desacelerei. Respirei fundo. Repensei. A vida é mais devagar, é mais saborosa. Ando comendo rápido demais, devorando o tempo. Onde quero chegar? Será que chego antes do fim quando nem sei se está pertinho, ali naquela escada que dá para a cabine.

Já tive valores convictos, metas traçadas. Hoje só tenho o desejo mínimo, simples, pequeno, de uma casinha, um café à dois, um emprego, um filho. Nada de lancha, de jóias, carrão. Nada disso, quero bem pouco. Porque vai sobrar mais tempo para viver.

2 comentários:

Mari disse...

É Li, infelizmente isso acontece com pessoas bem próximas de nós, mas o qe podemos fazer é sempre tirar boas lições disso!
Ah to sentindo falta dos seus textos viiu? hihi. Beijos.

Mari disse...

É Li, infelizmente isso acontece com pessoas bem próximas de nós, mas o qe podemos fazer é sempre tirar boas lições disso!
Ah to sentindo falta dos seus textos viiu? hihi. Beijos.