28/06/2009

O príncipe bate a porta e não é recebido

E ficava toda a vida lamentando nunca o tal príncipe chegar. Ele vinha para a amiga, vizinha, prima, até para a feia do fundo da sala, onde diabos estava o seu? Ela resmungava sobre sua solidão inevitável, sofria cada término de namoro. Todos lhe eram tão impossíveis, tortos, errados, aquém. Nenhum, com o tempo, se transformava nas projeções que fazia em sua cabeça, ai batia a frustração que lhe servia muito bem como uma comprovação de que era para ficar só. O ser humano tem dessas loucuras de procurar provocar na vida provas do que não passa de especulações em sua própria cabeça. Um processo inconsciente, lógico! Nem todos estão preparados para felicidade. Quando ela chega a porta, com um “bom dia, meu nome é príncipe”, isso dá medo. Então, pondera que não é a hora. A janela fecha. Quantas mais se abrirão ainda?

É preciso querer ser feliz, fazer essa opção, dar a cara a bater, colocar o nariz na rua e tentar. Nem todos vão encontrar a felicidade em vida, isso é tão triste. O que não quer dizer que ela não veio sobre várias formas e pessoas, tentando entrar, mas sendo impedida por um projeto profissional, uma viagem, um emprego...

Quando você realmente quer ser feliz, você bate de frente com o problema, arruma dinheiro, deixa que paguem a conta, pega dois ônibus, arruma tempo no meio da agenda espremida. Quando não quer, nem adianta o príncipe bater à porta, não vai enxergar.

Sabe o que me dói hoje? Como um nó na minha garganta? Conhecer uma pessoa assim e nada poder fazer para ajudar-lhe. Silenciar e deixar... Não se pode tirar o direto a opções dos outros, nem que a vontade seja gritar para que acorde. O príncipe se vai, achando tudo muito estranho, como um entregador de farmácia que não entende porque a pessoa não aceitou o remédio que ela mesma pedira para vir!

A vida é tão injusta. Não, ela é justa. Bem justa. São as pessoas que não são justas consigo mesmas.

Triste. Hoje estou triste por outrem. Sabe a vergonha alheia? Eu sofro da tristeza alheia.

Suspiro.

Li Mendi.

Um comentário:

Bhartira disse...

Olá, é a primeira vez que deixo um comentário no blog, mesmo acompanhando a muito tempo. Quero dizer Li que a vida não bate a nossa porta oferecendo felicidade todos os dias. Precisamos ser sábias (tentar pelo menos), para saber identificar a nossa felicidade. Identificar onde poderemos encontrar a felicidade. Eu encontrei a minha a alguns meses. Um grande amor que mora longe e vive sempre longe, sempre fora de casa. No entanto, quando chega, nada é melhor e mais confortável que sua companhia. Relutei para aceitar ser feliz. Queria ser feliz porém tinha medo. Medo de não dar certo, medo do julgamento alheio... acreditem, eu tinha medo do julgamento dos outros. Uma grande hipocrisia. Felizmente aprendi. Aprendi e encontrei um príncipe. Um príncipe que me leva café na cama, um homem maravilhoso que me faz feliz. No entanto ele só me faz feliz porque me permiti amar e deixar ser amada. Muitas vezes perdemos o amor da nossa vida por medo da distância, medo do julgamento da família, dos amigos... cometários maldosos... mas precisamos nos libertar para a felicidade. Espero que o príncipe de cada uma apareça. Espero que reconheçam os seus príncipes. Beijos, sejam felizes