23/04/2009

Um amor pra recordar de si

Tanto me falavam de “Um amor pra recordar”, vi. Previsível. Sem gritos histéricos de revolta, calma, gente. Achei clichê. Claro, bonito, não nego. Mas, sabe por que tanto sucesso? Não é pelo romance, mas por que a mocinha salva o mocinho.

Comi em um restaurante domingo passado cheio de brinquedos de escalar para os meninos e uma cozinha completa de plástico para as meninas. Ouvi dos amigos: “Ah! Mulher nasce pra isso”. E é verdade, nascemos pra cuidar. Lá no inconsciente existe uma messias que quer salvar os homens que escolhe. Você não escolhe uma roupa, pensando que vai depois à costureira fazer reparos. Porém, se vier um homem com alguns ajustes a fazer, topa na hora: “Eu conserto”.

No filme, a mocinha não só conserta, como ainda morre. E ele tem que passar sua existência na tristeza de um eterno agradecimento. É o romance clássico, daí o sucesso. Quer mulher mais decepcionada do que aquela que no meio de uma briga diz: “Você é igualzinho quando eu te conheci”. Ou seja, ela não atingiu sua missão de transformá-lo em outro.

Evoluímos, e pra melhor, quando amamos. Mas, há defeitos, manias e jeitos que não vão mudar. É preciso tolerar. O respeito às diferenças é tão difícil que hoje “ficar” é mais prático, só custa alguns drinks, o motel e nenhuma ligação de celular. Tão rápido e descartável quanto um Big Mac pra viagem.

Quem está sob a mira do cientista do amor, alvo de alguma experiência de mutação, sofre! Essa semana, quase morri do coração quando esqueci que era cardíaca e extrapolei em uma “prova” de amor... Resultado? Parei no hospital. Estou bem, ufa! Mas, aprendi a lição, não vou mais me odiar pelo meu sedentarismo.

Sabe qual o perigo de tentar mudar uma pessoa? Ela chegar ao ponto da saturação e transformar todo o amor em raiva. Por vingança, começar a fazer exatamente o contrário do que você quer, só para te punir pelo sentimento duplo de incapacidade e de supressão do eu.

Óbvio que tenho juízo e idade. Apenas vou pegar leve e seguir meu ritmo, mas sem nenhum rancor no peito.

Ninguém gosta de brigar. Contudo, há uma diferença entre discutir e brigar. É preciso ser firme, dizer o que se pensa, sem cair no bate-boca. Como a margem entre a briga e a discussão civilizada é extremamente tênue e frágil, as pessoas preferem evitar.

Já passei por dois momentos tensos desses. Um se referia aos rumos da minha carreira na rede pública ou privada e outro sobre tirar a carteira de motorista. Assuntos simples, mas que de tanto ouvir o que não me agradava, precisei sentar e falar tudo que pensava. Pronto, nunca mais o assunto foi levantado outra vez. Arrisquei magoar, mas não posso arriscar é a minha saúde mental e emocional.

Eu sempre repito uma frase: “Eu me amo primeiro e em segundo lugar, depois vem os outros”.

Às vezes esqueço, mas logo lembro. Saúde a todos!

Beijos no coração. Li.

2 comentários:

Aninha Barreto disse...

Nossa Li!!! Quando eu crescer quero ser igual a vc!!!! Caraca, vai ter inspiração pra escrever eim!!! Muito lindo seu texto e sempre tem alguma coisa que faz com que nós, suas leitoras, nos identifiquemos com as situações descritas nos textos!!!

Li disse...

Querida, beijo no seu coração de diamante. Obrigada e obrigada.