30/04/2009

Pinos: nem tão perto, nem tão impossível


Quando lançamos uma argola em um pino próximo, temos mais chance de acertar, mas ganhamos menos pontos. Quando lançamos em um pino longe, temos menos chance, porém mais pontos. Na vida, devemos colocar o pino em uma distância possível. Contudo, há pessoas que o colocam longe demais e estabelecem para si metas além do real.

Eu sempre digo que a carreira é um jogo de estratégias. Não é ela que te leva como maré, é você que a conduz com escolhas e retrocessos, ganhos e perdas. Por exemplo, no dia em que fiz a entrevista para a empresa onde trabalho, me perguntaram por que eu estava querendo estagiar em Publicidade se já era formada em Jornalismo. Respondi que jornalista eu seria para sempre, mas só poderia estagiar no período da faculdade. A minha estratégia foi recomeçar e, com isso, agüentar as conseqüências de ser considerada só uma aprendiz. Porém, aprendo muito, cresço, amadureço todo dia. Precisei dar um passo atrás para impulsionar um salto para frente.

Quatro amigas mais novas vão para o exterior fazer curso. No meu caso, não é a melhor estratégia. Na minha idade, os meus “concorrentes” já têm pós-graduação. Ou seja, o mercado vai olhar para mim com essa exigência. Por outro ângulo pessoal, há pessoas aqui que dependem de mim emocionalmente. Por isso, foi preciso chegar a uma conclusão de como dar um upgrade no currículo realmente considerável e, ao mesmo tempo, não afetar a família e meu relacionamento. Sendo assim, já comecei a pesquisar as pós que me atraem, sem deixar de trabalhar. Não que a estratégia delas esteja incorreta, mas não servem para mim, nesse momento. Como vê, decidir que seta seguir e guiar a própria profissão não é um movimento “ctrl c-ctrl v”.

Quando você não sabe para onde quer ir qualquer caminho vai te levar pra lá. O fim de uma faculdade é uma crise pior que o vestibular. Nesse último, uma hora você sabe que vai passar, mas quando termina a faculdade não há certezas de nada. E ainda tem um agravante: você tem que demonstrar para o mundo que todos os anos de estudo valeram à pena. É comum a fuga disso: “seja fazendo outra faculdade” (cof cof), “seja viajando para um curso fora”, “seja emendando em uma pós”... O importante é não negar para si o próprio medo, reconhecer o fato e enfrentá-lo o quanto antes.

Não há uma ordem certa para algum tipo de graduação. O que enfatizo é que se deve ter um objetivo claro da meta final de curto e longo prazo. Tudo que falo parece muito práxis e pouco coração. Talvez seja minha lógica geminiana muito racional. Mas, é que não gosto de me enganar e perder tempo, ver os anos passando e me sentir perdida, tentando mil coisas sem saber onde chegar. Acho que agora tenho um farol preciso como nunca. Vou atingindo cada vez mais a independência, que começa de dentro até chegar a própria vida.

Aliás, todos buscam a independência. Uns precisam ir para muito longe para se descobrir, há os que conseguem enxergar isso aqui mesmo e mais rápido e, infelizmente, os que nunca vão se conhecer e andar perdidos por aí repetindo o bordão de que “só quem tem QI vence”, “só filho de dono de empresa consegue”...

Saiba onde colocar o seu pino para não sentir que nunca pode acertar.

Beijos Li Mendi.

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