06/04/2009

Não Vip por uma questão de honra

A boate era da mais caras, chic e onde transita a nata dos artistas globais, celebridades e riquinhos do pedaço. Eles chegam de carros importados nunca vistos por aqui e passam sem pedir licença ou identificações.

Eu estava exatamente naquele ponto da fila onde se é um mero mortal que aguarda o cartão. Junto comigo, algumas amigas, namorados, affairs, enfim, um grupinho muito legal e divertido. Eis que uma amiga encontra um conhecido que poderia colocar as garotas vip pra dentro. Ela saiu na frente e atrás seguiu a filinha indiana de gatinhas cheias de brilho e graça. O homem era careca, muito branco, fortinho, quase diria andrógeno. A loira e mais bonita deu um sorriso e falou “Oh, eu conheço a X” com ar de graça e charme inocente. Ele: “E daí? Eu te conheço” com muita ironia e desprezo. Ela sorriu ainda fez algum comentário simpático e recebeu mais uma palavra de desprezo. Ele, um pouco mais alto no nível da calçada se sentiu o homem que tinha qualquer uma daquelas garotas sob seus pés e podia ter a ousadia de humilhá-las.

Ah! E eu? Bem, eu estava atrás, chocada, enojada, petrificada. Acordei do topor e falei baixinho que ia voltar pra fila. Ainda recebi muitos pedidos ao longe de “Deixa disso, sua boba”, mas nem tive vontade de virar. Reencontrei meu amor na fila, sorri pra ele, que conversava com o amigo. Ali era meu lugar. Onde eu tinha meu orgulho próprio, podia pagar caro para entrar e não precisava ser desprezada.

Orgulho não é uma coisa que se lava e põe no varal no dia seguinte. O meu já entreguei em embrulho pra presente e dei pra algumas pessoas que o deixaram no chão e partiram. Juntei todos os pedacinhos e fiz um bem forte, colado com Superbond. Agora, não o entrego em troca de nada, mesmo que pague um preço pelo meu gênio irredutível.

Isso me faz lembrar uma recente discussão na qual, no fim, a pessoa em questão pediu pra beber alguma coisa depois de termos brigado. Eu disse que não e não. Outros me reprimiram, afinal, era um superior. Falei que independente de hierarquia, meu orgulho tinha um limite e eu não passo por cima dele quando sei que estou certa. Sofro as conseqüências, mas não sinto nojo de qualquer tipo de submissão em que eu me submeta. A dignidade é algo que devemos ver na nossa cara no espelho. Eu tenho a minha.

***

Hoje, acordei abrindo gavetas, portas, mexendo em caixas. Joguei fora muitas coisas que sei que não servem pra mim, separei outras pra doar e muitas foram para o lixo. Limpar a energia acumulada nos cantos é importante pra deixar a nova circular. Depois disso, abri meu e-mail e li o que dizia meu horóscopo: “A oposição tem uma natureza de conflito, mas também de complementação: o que é realmente importante para você, e que deve ser preservado, versus aquilo que não lhe serve mais, ao qual você tem um tolo apego emocional, mas que está na hora de se livrar. O Sol na Casa 8 ilumina e esclarece a respeito do que não lhe serve mais e que precisa ser descartado sem piedade. A Lua na Casa 2 sugere a dor do apego ao que não tem mais funcionalidade em sua vida. É uma fase crítica, mas também libertadora, natural das luas cheias.”

Entendi agora porque estava com esse desejo de me desapegar de roupas, sapatos, acessórios, maquiagens estacionadas... É importante se renovar e desligar-se de coisas que te prendem.

O mais difícil é quando temos que nos desligar de pessoas, pode levar uma vida toda, mas é preciso tomar uma atitude de abrir a gaveta do coração e jogar tudo pra fora, nada de guardar em baú, é por pra fora.

O lugar limpo trouxe espaço pra outras alegrias que chegaram. Muito mais felizes...

Beijos, Li Mendi, tão atolada quanto caminhão de mudança.

2 comentários:

Feliz!!! disse...

É verdade Li, às vezes precisamos "renovar" certas coisas em nossas vidas.

Uma pessoa muito sábia me disse uma vez que é preciso jogar as "roupas" velhas fora, para dar espaço as "roupas" novas.

Foi isso que fiz com a minha vida... me livrei de um relacionamento terrível, que a única coisa que me segurava era meu filho. Deixei tudo com ele... até os móveis. Vim pra casa da minha mãe com os pertences pessoais e meu filho. Meses depois, conheci uma pessoa maravilhosa, meu militar lindo, estamos passando por momentos lindos, mesmo sendo um relacionamento à distância. Estamos montando a nossa vida, estou indo agora no mês de maio para comprarmos nosso apto e preparar tudo para o casório em janeiro de 2010. Estou muito feliz. Mas para que essa minha felicidade chegasse eu tive que deixar muitas coisas para trás. Tive que me desfazer de coisas materiais... mas agora estou adiquirindo coisas melhores, ou seja, estou adiquirindo um relacionamento saudável, que é algo que nunca tive em minha vida!!!
Eu só posso dizer a todas uma palavra: "viva". Viva como se hoje fosse o último dia. Desfaça de coisas que tragam lembranças ruins, não se pode começar uma vida nova com coisas que lembram o passado. Esqueçam o passado. Desfaçam também dos pensamentos e lembranças ruins. Se vc ficar pensando no passado, jamais poderá aproveitar oq está no seu presente!

Beijooosss

Luciana

Li disse...

Luciana, quão lindas suas palavras. Um complemento de ouro para o post. Beijo e parabéns pela bravura.