04/03/2009

Em que está gastando seu tempo?

“Você percebe o valor das coisas pelo tempo que gastou com elas.” Li essa frase semana passada em algum lugar na web. Foi um pisão no freio dos pensamentos, digno de neurônios cantando pneu e levantando fumaça no asfalto mental.

Hoje, mexendo no código do template de um blog meu, por um erro bobo, o site saiu do ar. Meu coração quase precisou de um desfribilador. Isso porque investi muito tempo, energia e organização para publicá-lo com uma série de entrevistas. Graças a Deus e minha genialidade (?) à parte, consegui consertar a bagunça feita e tudo voltou ao ar.

Percebi naqueles segundos de “OFF” o valor daquele trabalho. Olhei através da minha janela os carros passando, as densas árvores, o canal florido às margens _ onde capivarinhas brincam ao redor da mãe e gambás assustam os corredores _. Eu vou morrer e tudo continuará se movimentando alheio a isso. A idéia da morte não é algo eletrizante para uma manhã ensolarada. Mas, é preciso saber do fim para curtir o “durante” com menos dureza, menos tempestades mentais e menos sofrimentos imaginários. (A maioria das coisas ruins, que se passam na nossa cabeça por ansiedade, nunca virão a acontecer.)

Onde está o valor das coisas? _ não é à toa que esta frase virou mote de muitos comerciais, em que as agências espertamente começam a embutir nos produtos as vantagens psicológicos que os usuários buscam.

Fiz uma revisão da minha minúscula vida e cheguei ao denominador comum de que venho estudando freneticamente durante mais de dez anos ininterruptamente. Muito tempo queimando a retina nas microletras de textos e livros de comunicação. Onde está a diversão? Por isso, é preciso incluir uma palavra à frase:

“Você percebe o valor das coisas pelo tempo que gastou livremente com elas.”

Nenhuma criança se queimando nas carvoarias gasta seu tempo lá porque dá valor àquilo. Temos que levar em conta o tempo que dedicamos por iniciativa própria. E, mais valor ainda, quando nos esforçamos para arranjar tempo. Sempre que uma pessoa chega à minha mesa de trabalho e pergunta: “Você tem tempo para me ajudar?”, Eu respondo: “Eu nunca vou ter tempo, então, vamos ver agora.” Não há tempo para arrumar a zona de pastas no computador. Devemos nos habituar a ser organizados. Não vamos ter tempo para ler aquele arquivo enviado pela outra área com informações complementares, devemos simplesmente abrir e lê-lo. Não vamos ter tempo para mandar e-mail para aquela questão número 359 no status. Abra a tela, escreva, envie. A vida é agora, contínua, fluída.

Descobrir isso foi um processo despertado há alguns anos, quando comecei a correr atrás de prejuízos sociais, amorosos, familiares... Não obtive tudo que quis, mas até com o que não consegui aprendi.

Voltando ao valor, podemos pensar no dinheiro. Onde emprega o seu?

Conheço um homem que tem uma moto Vestron. Dessas super lindas, prata, potente... Enfim, ele viaja pelo Brasil muito feliz com o seu brinquedo de estimação. É o lugar onde despende o valor. Se é cara, se é custoso pagar, se é perigoso... Não importa. É o que faz feliz. Deixe que os outros critiquem.

Muitas pessoas esperam passar por algumas etapas para aí sim comprar o que deseja, viver um amor, viajar para aquela cidadezinha do cartão postal ou do filme lá na Europa... Mas, a vida pode acabar na próxima curva.

Quantas pessoas impõem que só vão casar quando passar naquele concurso público, que vão ter filho quando entrar para aquela empresa... A vida não volta. Sempre contínua para o fim.

Ontem, muito aborrecida com uma pessoa que duvidou do meu trabalho, eu parei no auge da minha irritação e respirei fundo. Era só um layout, uma folha, um arquivo. É preciso ver que há mais coisa entre o céu e a terra do que nossa vã filosofia, diria Shakespeare. Hoje, vou ter que retornar a esse caso, mas tentarei dar menos valor, menos energia, muito menos tempo de lamúrias e reclamações.

Um beijo doce, um abraço fofo da Li Mendi.


* Fonte da Imagem

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