17/03/2009

Personagens que fazem de nós

Fonte da Imagem= Internet. (Li Mendi)
Muitos desejariam que eu fosse substituível. Que eu errasse ali no próximo ponto, que fossem mentira minhas verdades duras e cruas, ditas com voz séria e madura. Queriam que eu me estrepasse para rirem. Como não conseguem, pisam, acusam, humilham, execram. Não é um post poético. Verte sangue dessa vez. Eu mesma temo em ser eu, em não controlar o impulso de ser cruelmente enérgica quando sou injustiçada e encontro um erro. O domínio das palavras é minha glória e minha queda, pois tem horas que eu bem que poderia escolher o silêncio. Foi um dia tão destrutivo que eu posso sentir o peso latente de toda a energia negativa que me jogaram ainda fadigando cada músculo.

Deve ser mais fácil ser nula, invisível. Mas, quando se é muito boa no que fazemos, quando levamos tão à sério que extrapolamos o esperado do nosso cargo, apontamos para o umbigo o alvo vermelho. Os de cima não esperam olhar para baixo e ouvir que estão errados, nem enxergar sobre seus pés alguém mais capaz. É preciso sapatear e sacudir a pessoa para que acredite que é horrível, má. Nem que para isso use todos os requintes psicológicos de pressão. O sistema impõe que cada um deve estar no seu lugar e lá se manter no nível limite de idéias, de autoridade, de imposição pessoal, de inteligência. Ousar pisar fora dessa linha é pagar o preço da pressão desumana que vem em seguida.

Eu melhoro a cada dia, juro que tento ser mais introspectiva, mais degustadora de sapos, mais indiferente, mais fria, mais patologicamente alheia. O lado visceral, porém, vem à tona sem que consiga controlar quando vejo um erro. Mas, posso me aplaudir, porque de cada dez casos, 8 eu não explodo. Reconheço o quão estúpida posso ser, não escrevo aqui para me justificar, mas, para me entender, me rever.

Por outro lado, recebo e-mails, telefonemas, carinhos, beijos, presentinhos das pessoas que me amam, me admiram, querem estar ao meu lado, me ouvirem, aprenderem comigo. Já ouvi dizer que tenho luz, que tenho uma sabedoria fora do comum, que sou a melhor conselheira, que sou fofa, doce, a melhor amiga...

Como pode em mim tanta ambigüidade. Como podem sobreviver em um mesmo corpo duas almas em luta? Isso acontece porque meu lado ruim teve a chance de ganhar uma vida inteira para melhorar. Essa que fala duro, que se impõe, que é muito enérgica, que tem um pulso firme e até autoritária precisa adormecer, congelar. É um trabalho diário, de tantas falhas e desacertos, mas de uma melhora visível e reconhecível.

O único erro que não podemos ter é o ódio a si. É nesse ponto que começam as drogas, a bebida, o suicídio, a violência. O vital é conseguir olhar para si de fora e reconhecer seu ponto mais fraco e trabalhá-lo. Ter vergonha do erro constante e querer mudá-lo é o caminho. Mas, acima de tudo, entender e se tolerar pela limitação de não poder mudar de vez, de um só golpe. É dia a dia, situação a situação.

Hoje, eu falhei, amanhã terei outras oportunidades. Fecho aqui, como quem fecha os olhos para uma última lágrima. Hoje, nenhuma mais.

Desculpem pela nulidade de ensinamentos e o excesso de catarse. Se posso ensinar qualquer coisa a partir das minhas fraquezas é: trabalhem a inteligência emocional e dominem seus impulsos para que as pessoas não criem vários personagens de você. Porque de tanto elas repetirem que você é esse personagem, pode um dia chegar a acreditar. Elas sempre preferiram os personagens e não darão chances para o seu eu verdadeiro e bom. É mais fácil o ódio ao amor, porque amor necessita da árdua compreensão.

Li Mendi.

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