20/03/2009

Olhe para o ponto fixo e não deixe de acreditar em si

Você leva anos ou uma vida inteira para conquistar as pessoas. Mas, basta uma falha para que o estrago seja injustamente proporcional. O pior de tudo é quando uma só pessoa consegue alterar a maneira com que o grupo te vê. É difícil começar do zero quando as pessoas preferem guardar na memória os quadros estáticos. Não há tanto HD para filmes, imagens são mais rápidas, leves de se guardar. O que adianta todas as suas qualidades de fada se quando você erra o flash eternizará o registro de bruxa?

Suas imagens são passadas língua a língua como o virar das páginas de um álbum ruim. Você começa a ser apresentado com um adeno no final. “É legal, mas...”, “É divertida, mas...”. E sabe qual é a pior punição? O desprezo silencioso do grupo. Os amigos perdoam, mas os colegas... ah, os cruéis colegas, aqueles sempre com um falso sorriso, esses nunca vão lhe aceitar como é. Estão preparados para te pisar. Grande diferença faz saber quem é um quem é outro para não ter surpresa, nem decepção. Eles são capazes de te fazer acreditar nas imagens que construíram de você.

Aprendi a lição de que, em algumas situações, você deixa de estar certa pelo cargo que ocupa. Não adianta dizer o que se pensa quando na estratificação você ocupa uma posição de quem não tem o direito de se exceder. Chegar à consciência disso facilita apenas para que veja o quão frágil pode ser dentro da máquina que move o sistema.

Tudo um jogo. Sorrisos compram favores, brincadeiras conquistam ajuda, presentes levam a compensações. Parece lógico? Pode ser. O que não se deve é acreditar na verdade disso. A ingenuidade é um erro fatal, te leva a grandes decepções. Quando é possível atravessar os filtros e layers das pessoas e enxergar a falsidade e politicagem, não há surpresas dolorosas.
Fonte da Imagem: Internet. Blog Li Mendi
Para a roda girar, é preciso que as engrenagem se encaixem. Jogar o jogo e ainda não esquecer da própria essência. Os sorrisos sob medida, a escrita e a língua controlada, os impulsos totalmente amarrados. Não há muito espaço para os selvagens, mas bastante para os domesticados. Quanto mais perto do chão de fábrica se está, mas coala se deve ser, preso e camuflado nas árvores a fim de não ser encontrado e devorado.

Sobreviver na floresta de pedra é se olhar no espelho todas as manhãs e acreditar no que se é. E entender que nem todos vão te amar. Bem poucos, pouquíssimos, aliás. A verdade de sentimentos passa longe do rio que corre o dinheiro e o poder. A solidão nesse mundo povoado é grande. E ainda sim se deve rir. O controle mental é talvez mais importante que o domínio das habilidades específicas.

Se esse texto fosse uma imagem, a que me vem a cabeça é de uma bailarina na ponta de um pé, enquanto o outro rodopia. Ela olha para um ponto a cada vez que o círculo que circunscreve no ar se completa. Repete esse olhar fixo a cada giro. É uma técnica para não ficar tonta.

Quando sentir que está quase impossível levar os problemas, olhe para um ponto “Eu sou uma pessoa boa” e acredite. Não vacile, olhe para o ponto “Eu sei que posso conseguir superar meus limites”. Isso ajuda a não cair.

Bom show da vida para todos.

Li Mendi.

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