05/02/2009

Imagem: Cenário, roupa e Luz.

Li Mendi Blog. Fonte da Imagem: Internet.
Não é porque agora sou publicitária que verei tudo como vendável. Mas, confesso, nunca prestei tanta atenção nisso.

Desde sempre o homem cuidou do marketing pessoal, a diferença é que antes só os muito visionários investiam na importância de apresentar a imagem certa para provocar a reação desejada. Agora, quem não sabe como fazer, paga os profissionais que estudaram para isso. Na faculdade, existem cadeiras de marketing político. Não fiz, não apreciava. Via Dilma com sua nova plástica e agora cheia de maquiagem e achava: puro rótulo para enganar a urbe. Não me toca.

Se você também pensa, “seguindo aquele estilo riponga, vou andar por aí com meu saião e chinelo de couro, gostem de mim se quiser”, confesso, já pensei assim. Mas, ontem, uma revelação se tornou abruptamente chocante e me fez rever esse juízo de valor que já estava quase desfeito.

Reparava muito e com admiração profunda uma mulher. Sempre bonita, salto alto, roupas elegantes. Não digo isso por serem caras, mas elegantes mesmo, tudo combinando em um estilo tão equilibrado e sóbrio que deixava na dúvida se era social ou esportivo fino. Não era só isso. As unhas feitas, nem grandes ou belas como as das modelos de canal de leilão de jóias. Simplesmente muito bem cuidadas e pintadas, apesar de curtas. O cabelo infelizmente crespo, contudo, constantemente alisado e preso em um rabo de cavalo esguio. Um relógio grande e brincos pequenos. Estou gastando muitas linhas com isso para que possam imaginar daí.

A segunda parte sobre essa mulher que posso dizer é sobre sua elegância interior. Voz baixa, calma e tranqüila. Olhos que sempre te encaram confiantes, dentro da bola preta do seu olho e não desviando para o computador. Gestos delicados. Sua inteligência e conhecimento sobre o produto que cuida fora do comum. Um dia desses mesmos, comentava comigo que sairia mais cedo para ir para o seu MBA na COPPEAD. Só daí, para quem sabe o que a COPE significa em destaque mundial de MBA, nem preciso traduzir...

Visto por dentro e por fora, posso agora resumir meu choque de ontem. Uma pessoa me perguntou: “Sabe quantos anos fulana tem”? Eu disse: 30. Vi a outra balançar a cabeça para os lados. Fizemos uma enquente com duas colegas que deram 30 e 29. Foi, então, nos revelado, que a tão magnânima tinha 24 e que era só uma analista, apesar do porte e capacidade de gerente. Foram três bocas abertas por um minuto.

Como ela tinha a mesma idade que eu? Sem entrarmos naquela discussão idiota de “eu prefiro que me achem novinha”. Se era compreensível e mesmo assim muito glorioso que ela tivesse toda aquela imagem poderosíssima com 30, com 24 beirava o divino.

Ali, caiu mais um mito de adolescente que sai da casca: a gente tem que ser o que é e que nos engulam. Essa atitude de revolucionário fraco e sem causa é um tanto burra. A imagem é extremamente importante para a confiança que passamos. Lógico, óbvio, evidente e empiricamente comprovável que sem a inteligência ela seria uma fútil bem arrumada. Mas, vejam que quando se pensa bem no marketing fora e dentro o todo se torna tão mais vendável. E falo vendável no sentido das pessoas acreditarem muito mais. O crédito não é aquilo que nos concedem para que possamos depois devolver em prestações? Então, como um estranho ou um superior pode te dar um cargo, um job, um projeto, se ele olha pra você e não consegue creditar no todo. Fica na dúvida se aquele jeitinho de criança dá conta, se aquele brincalhão hippie pode dar seriedade à tarefa. Como grande observadora, cheguei a conclusão de que os que mais rápido subiram de posto são pessoas bem novas e com uma postura muito elegante e discreta.

É difícil quando você tem uma cara de Sandy e é toda pequena. Parece que está escrito na sua testa que é uma estudante ainda. Mesmo já tendo duas faculdades. Mas, ando fazendo direitinho a lição de casa. Um dia desses, ao responder bem uma pergunta feita por um superior de outra área fui perguntada sobre quantos anos estava ali. Respondi que quatro meses. Recebi um olhar de estupefação. Sorri...

Mas, confesso, que estou em um grau 8 de 10, longe da meta, depois da descoberta de ontem. Uau. Termino com um adendo, o que sinto é muita admiração e não inveja. Infelizmente a inveja é quando a gente não quer que o outro tenha ou que tem. Pelo contrário, quero que seja muito mais porque realmente merece. Mas, nunca me tocou tanto essa lição...

Para os artistas parece tão óbvio. Ontem, lendo um artigo sobre Dulcina de Moraes, a grande diva do teatro no Brasil, que criou a Fundação Brasileira de Teatro, soube de uma história contada pela atriz Glória Menezes: “Ela era simples, podia ser Cleópatra, mas quando acabava, tirava as jóias, vestia uma calça e uma camisa quaisquer para ir para casa. (...) Em cena, sim, ela dava valor a tudo: cenário, roupa, luz...

Veja Madonna com seu palco que leva 5 dias para ser montado. E ninguém duvida que o palco e o figurino são uma extensão do corpo físico. Não lembro quem escreveu, na revista Veja que peguei para ler ontem também, que dizia: “O que a Madonna diz no show não importa, o que importa é seu corpo.” E isso queria um pouco dizer sobre sua imagem poderosa.

Alguns já nascem abenegados pela natureza com um visual fotográfico e impactante. Mas, ninguém mais pode reclamar do que os cosméticos e a indústria da moda podem fazer. Não é preciso ter coisas de grife. É preciso saber escolher para passar o recado certo e chegar com a mensagem correta na cabeça do destinatário da informação oculta e silenciosa.

No palco da vida, tenho que tentar ser como Dulcina e pensar no cenário, roupa, luz... Cuidar bem da saúde mental sempre fiz, mas deixei um pouco a desejar na imagem. A vida é para isso, nos tornamos mais espertos!

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