10/02/2009

Serenidade: Deixando de lado a brigona.


Hoje, fui à boca do caixa fazer um depósito. O atendente prontamente recebeu o dinheiro e começou a operação com seus ágeis dedos no teclado. O homem sentado no guichê ao lado, me chamou alto e em bom som de “Senhora”. Eu assustei-me. Parecia que tinha feito algo errado. Ele explicou com rudez na voz que eu não podia efetuar depósito ali, apenas através do envelope, no caixa eletrônico. Ratificou que só em outra agência eu poderia fazer dessa forma. Visto que eu nada respondia, repetiu a mesma explicação. Enquanto isso, o atendente terminou a operação prontamente e me deu a nota fiscal sem qualquer objeção, reclamação, ou advertência. Sorri para ele e agradeci gentilmente. Para o outro não falei nada.

Desci as escadas e, já na rua, observei minha própria reação serena. Aprendi com um professor terapeuta que devemos ter um terceiro olho que sempre observa nossas atitudes com sabedoria e sem cobranças. Por que eu simplesmente não perguntei ao homem por que estava brigando comigo se o outro realizava a operação com toda tranqüilidade? A resposta é que não fazia qualquer diferença o que ele falava, isso não me afetava, eu estava conseguindo pagar a minha conta. A irritação dele não me perpassou como uma energia negativa. Ficou nele.

Aí, conclui o quanto mudei nesses 7 últimos meses. Já fui muito reativa. Várias vezes fui chamada atenção no trabalho pelo meu comportamento brigão. Aprendi, a não levar nada importante a sério, a deixar para lá e serenamente continuar meus passos, sem acumular ódios e rancores. No início, foi um exercício bem traumático. Eu me forçava a ouvir os sapos e a só responder prudentemente quando de fato merecesse. Não queria mais ser chamada atenção por ser a brigona. Mudei muito e os outros perceberam. Alguns ainda cismam em guardar a primeira imagem. Reconquistar é ter que se apresentar outra vez, mas sem carta de crédito.

Um dia desses vendo um Discovery, conheci a história dos cachorros que são treinados para lutar em rinhas. Nunca mais os bichinhos conseguem deixar a agressividade. Com muitos treinamentos, muitos mesmos, eles aos poucos modificam alguns hábitos. Porém, no seu DNA já está inscrito o ímpeto de ferir e se defender.

Em nós humanos, não é tão diferente. Nos ajuda a racionalidade, mas os instintos precisam ser controlados também. Quero atingir o máximo de serenidade e mansidão que puder. É só o começo. Mas já um começo.

P.S: A comparação com o cachorro não foi uma das melhores, aff, no próximo texto prometo algo mais elevado.

2 comentários:

Taíza disse...

Oie Li!!!
Amei essa matéria, sei que você deve estar cansada de ouvir isso mas, era tudo que eu precisava ler!
Ultimamente não tem sido fácil, eu já enfrentei vários problemas na minha vida e antes deles acontecerem eu era uma pessoa calma, tranquila, serena... Mas depois o tempo foi passando as responsabilidades aumentando e meu estress crescendo cada vez mais, cheguei ao ponto de praticamente não ter o chamado "paviu", ás vezes nem precisava de um motivo pra eu já estar brava,irritada. Só que isso foi me consumindo, fazendo mau a mim mesma, desenvolvi as doenças chamadas psicossomáticas pelo simples fato de não manter a calma, fazer de tudo uma tempestade e as pessoas que amo acabaram sendo prejudicadas com tudo isso também.
Hoje, estou buscando a paz, paz interior, pra poder viver a minha vida, me concentrar nos meus objetivos, acreditar mais em mim, na minha capacidade, e claro, ter mais calma pra enfrentar essa distância que não é nada fácil.
Acredito que esteja conseguindo, vou esperara pra ver os resultados!
Quero agradecer o bem que você faz, acho que você nem imagina como você ajuda nós que enfrentamos o tempo, a distância, pelo amor que sentimos, e ainda precisamos muitas vezes encontrar forças dentro de si mesmas pra enfrentar as adversidades e dificuldades que surgem a cada dia!
Obrigada mesmo, de coração, amo suas matérias, elas me fazem ter força pra seguir adiante e perceber que não estou só nessa luta diária!
Desejo tudo de mais perfeito e maravilhoso na sua vida, que você seja sempre muito feliz em tudo realizar e não deixe de postar esses textos perfeitos!
Grande abraço, sempre que eu puder estarei por aqui!
Beijos ;*

Li disse...

Taiza, suas palavras me deixam sem palavras rs. É piegas dizer isso, mas é real, fico gratificada de saber que o que escrevo importa a outrem. Menina, um beijão no coração da Li.