03/02/2009

As oportunidades não parecem sê-las.


Tudo que espera depois de uma noite romântica é ouvir coisas românticas, ora. Mas, a racionalidade com que ele terminou aquele primeiro e-mail foi quase incômoda: “Me deixe te ver de novo porque eu não vou perder essa oportunidade”. Argh! Eu não era um círculo no caderno de emprego.

Nada que o largo de 4 anos não explicassem. Já sabia previamente que a oportunidade a que se referia não era só do próximo beijo, mas de mais: de um amor de verdade. Vim entender, porém, muito tempo depois, que a gente não acha pessoas especiais em qualquer lugar e, ao achá-las, não podemos perder a oportunidade.

Hoje, ouvimos elogios de que somos o casal mais chave-fechadura que já se viu. Mas, naquele instante em que nos despedimos sem trocar telefones, ele sabia que a chance iria passar. Até hoje não perguntei como conseguiu meu e-mail. No Orkut, suponho.

As grandes descobertas da medicina, da física, da química não foram inventadas dentro do computador, elas estavam ali na natureza esperando serem entendidas. Alguém soube olhar atento para ver o que ninguém via. Costumamos pensar que essas pessoas são sortudas. Na verdade, elas tinham as mesmas chances que nós, mas souberam apenas aproveitá-las melhor. O problema é que nem sempre, ou quase nunca, as oportunidades parecem sê-las.

Essa semana uma pessoa que conheço largou a oportunidade de morar em uma cidade grande, com um pai com ótima condição financeira, para ficar em um lugar marginal e cheio de libertinagens. Sim, foi uma escolha incoerente, mas uma escolha. Uma grande oportunidade trocada por tão pouco.

Também essa semana outro conhecido deixou de vir ao encontro de uma garota super legal, inteligente, especial, carinhosa, divertida... Sim, a garota! Outra oportunidade jogada ao vento. E depois, continuará reclamando que nunca encontra ninguém...

Oportunidades não aparecem toda hora, são como eclipses, não duram muito e demoram para acontecer. Por isso, não tenho pena daqueles que as deixaram passar por acharem que há outra na próxima fase da lua.

Caso se pegue reclamando da vida e desejando a de outrem, pense em viver a sua com mais oportunidades. Se elas são raras, crie-as!

Ontem, passado o crachá na catraca, saí pela rua com a bolsa no ombro e um sorriso no rosto. Esperei meu ônibus na orla da praia. O sol lindo e alaranjado se pondo no horizonte. Pensei que há 5 anos atrás eu era só uma garotinha passando no vestibular de jornalismo. Um grande desastre de percurso. Mas, criei uma nova oportunidade, não sem dor, e fiz outra faculdade. Hoje, publicitária, amando muito o que faço, trabalhando em uma ótima empresa, sinto-me orgulhosa pelas chances que corri atrás.

Devemos nos inquietar com o pouco. Não aceitar nada menos que a felicidade.


Li Mendi.

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