29/05/2008

Nossas (minhas) dores


A entrevista de emprego pedia um look fashion e meus pés um chinelo. Mas, abdiquei por uma boa causa minhas confortáveis havaianas e troquei por um salto que me deixou com bolhas no final do dia repleto de longas caminhadas. Voltei para a casa da minha sogra para buscar minha sandália e...? Ela havia saído! Nossa, que dor terrível no tornozelo. Mais vinte minutos a pé até o ponto do ônibus, depois mais quinze até meu apartamento. Andei a passos curtos e gemendo por dentro. Parei, sentei, respirei, só não dava para chorar. Toda mulher de salto padece com glamour.

Quando sentimos dor, é inevitável não lembrar de nossas outras dores. O sofrimento nos torna mais sensíveis. Recordei de outras menos carnais. A formatura de jornalismo em Dezembro e as estreitas expectativas de vôos plenos. Eu era uma andorinha que só conheceria o limite máximo da copa de algumas árvores próximas. Já havia pessoas demais se lamentando por mim, lá no fundinho felizes com isso também. Eu não nasci para ser uma história de derrota. Com cara e (quase sem) a coragem me inscrevi para a manutenção de vínculo na faculdade.

_Não abriremos vagas para publicidade esse semestre.

Telefonei várias vezes nas férias e obtive a mesma resposta. Não desisti, adiei minha colação de grau ao limite e fui lá pessoalmente perguntar o de sempre “abriu vaga?”

_Abriu. _ respondeu a recepcionista muito contrariada por eu ter sido tão teimosa.

_Vou me inscrever.

_São só três vagas e você terá que competir por elas.

_Eu vou conseguir.

E aqui estou começando tudo de novo. Na realidade, não é de novo. Não se volta para o zero jamais. Carregamos conosco toda a bagagem de nossas dores e acertos e vamos em frente. Meu “em frente”, porém, é para outra direção, não para trás.

Agora, tenho que explicar em cada processo seletivo o por quê de estar procurando estágio, se já poderia estar trabalhando na área onde já sou formada. Mas, não vou sentar e chorar. Entrei tão de cabeça nisso, que já estou começando a ter boas respostas... Não posso contar aqui, enquanto não for confirmado...

Eu não lembrava mais como usava o pacote de programas de editoração de imagem. Peguei essa dor e transformei em uma estratégia: fui estudar sozinha com várias apostilas. Já não lembrava mais meu inglês e espanhol: pretendo voltar a revisá-los vorazmente agora.

O que fazer com nossas dores se não suportá-las e caminhar para a vitória? Não é sempre possível seguir por trilhas confortáveis. Só não tente me convencer de que não vou chegar lá. Sempre haverá uma vaga para mim onde quero alcançar. Mesmo que eu tenha que esperá-la teimosamente.

Fonte= Imagem

Li Mendi

2 comentários:

Suzy disse...

"Sempre haverá uma vaga para mim onde quero alcançar. Mesmo que eu tenha que esperá-la teimosamente."

Oi Lí, adorei essa sua frase! Parabéns pela persistência e coerência! Tenho certeza que chegarás lá, cedo ou tarde...

Vou tomar essa frase para mim tb, viu??

Tava com SAUDADE dos seus textos.

Beijo! Beijo!

Lylyann Lima disse...

Oi,Lí!!Sou uma outra Li só que com "y",rsrs..^^Lylyann Lima,19,moro em Fortaleza-Ce,namorada de um ex-milico...Bem é a primeira vez que posto comentário aqui,mas venho acompanhando os seus trabalhos textuais há um tempo(os seus e os da Lucy-adoro tbm).Adorei o blog "Eu amo um militar",e por isso me identifiquei com este também.Já conversamos umas vezes,pelo msn(mas faz tempo^^),..sempre que estou com tempo venho aqui pra refletir ou distrair...adoro demais!!!
Bom qualquer dia conto algo sobre a minha história,pois não é só pq meu love é um ex-milico que eu irei me livrar dos prós que as namoradas de milico sofrem,pois ja passei por cada uma!!!

Bjuu té mais....

Lylyann Lima