15/04/2008

O quanto você suporta

Você já disse que o Reynaldo Gianecchini atua mal, ou reclamou daquele grupo de pagode com letras vazias, ou achou aquele apresentador insuportável? Agora pense quantos milhares de “eus”, “vocês” há na vida desses famosos. Eles pararam de também serem admirados pelos que gostam de seu trabalho? Não, são outros milhares. É fácil falar mal quando não é nossa carinha que está à tapa e eu pergunto: o quanto você suporta?

Imagine um botão chamado “e daí?”. Cada vez que alguém te criticasse, você o apartasse. Quantas vezes seria capaz de fazer isso? Qual o seu limite? As pessoas que tem mais medo de errar, são inseguras e tem baixa auto-estima não conseguem chegar perto do botão.

Eis que ontem eu abro meu scrapbook e leio muitos desaforos de uma pessoa que critica um dos livros que escrevi sobre namoradas/ noivas/ esposas de militares. O livro teve até a segunda edição com mais entrevistas. O fato é que eu não inventei nada, foram dezenas e dezenas de relatos escritos pelas próprias mulheres contando seu dia-a-dia, as dificuldades com as mudanças, as vezes em que tiveram que abdicar de família para morar longe, a falta do dinheiro, a saudade nos períodos de missões... Enfim, tudo relato delas.

Duas pessoas, uma delas uma psicóloga, vieram me dizer que era tudo mentira, que essas mulheres são “anuladas” e que a realidade é outra. Falavam que era uma grande manipuladora do mal. Só quem vive sabe o que se passa neste universo... Há coisas mais profundas nos relatos. As mulheres não se anulam pelas transferências. Muitas trabalham, têm uma carreira brilhante. O sofrimento da distância não é conto de fadas, é realmente uma realidade. Para quem nunca passou por isso, lê o livro e começa a criticar é fácil.

E quando você é o alvo das críticas? Qual o limite do suportável? Bom, o jeito é apagar os desaforos, respirar fundo e engolir. Não posso tentar debater, porque não se tem como explicar algo para uma pessoa que não viveu, que não está perto do dia-a-dia dessas mulheres. É melhor o silêncio.

Uma delas dizia que era tudo mentira também a felicidade das entrevistadas do livro. Será que todas deveriam ser fadadas a infelicidade? Por que é tão difícil algumas pessoas acreditarem que é possível ser muito feliz mesmo com uma gama de dificuldades?

Quando eu me arrisquei a juntar todos os relatos, sabia que viriam as críticas boas e as injustas, essas conto nos dedos. As boas são dezenas através de e-mails emocionados de muitas mulheres que disseram que foi o único lugar onde encontraram a descrição do que elas realmente vivem e agradeceram emocionadas por sentirem aliviadas de não estarem sozinhas e nem “loucas”. São tantos os scraps de desconhecidas que estes dois longos e amargurados textos me ditando como um monstro deturpador se tornam destoantes.

Você está preparado para ser alguém que fez algo diferente? Você está preparada para os aplausos? Você está preparada para ser apontada em algum evento? Você está pronta para que falem bem dos seus feitos? Agora você é capaz de segurar-se em pé quando cair sobre você a ira, a inveja, o espírito destrutivo dos que vão te massacrar com críticas inúteis?

Todos que fizeram história fugiram do comum, ousaram o diferente. Foram muito amados e muito odiados. Porque até os que odeiam admiram. O ódio também é uma força de contemplação. O que odeia sabe muito sobre seu objeto de repulsa, não fica longe dele por muito tempo.

Posso dizer que na vida fui muito amada, por alguns até odiada, mas felizmente não passei indiferente.

Aperto o botão.



Li Mendi

5 comentários:

luana disse...

Pois é D. Li essas pessoas que nos recriminam, apontam o dedo e duvidam dos nossos sentimentos, não sabem 1/3 do que passamos, a distância,solidão,frustações,despedidas,neuras ... hummm se for enumerar o que se passa em nossas cabeças!!!
A impressão que tenho é que tudo têm que ser igual...os namoros tem que seguir um esquema já pré-estabelecido, por quê???
Eu quero o meu amor do jeito que ele é... com todas as dificuldades, renúncias,mas em contra partida muito amada, desejada, admirada...
Eu particulamente cansei de explicar que sou feliz, guardo a felicidade para mim e meu amor...
Cheguei a conclusão que não preciso provar nada a ninguém....
Beijocas a todas

Anônimo disse...

oi Li!!! bom eu posso falar disso com total segurança. pois vivi as três situações: ANTES - DURANTE - DEPOIS.

ANTES - antes de meu irmão entrar no quartel eu achava que namorada de militar era sim, uma mulher anulada e com doutorado em artes domésticas, aí...

DURANTE - conheci o Ro,um militar que me fez rever todas as minhas idéias... a minha felicidade durou pouco, ele morreu e eu precisei de longos 3 anos pra me recuperar dessa dor que me matou internamente. com ele eu aprendi que ser namorada de militar era ser mulher altamente independente! pronta pra encarar desafios sozinha!

DEPOIS - depois do Ro, eu conheci outro militar com quem namorei mais ou menos seis ou sete meses... terminamos por termos os dois a persnalidade extremamente forte, ambos pensamos muito em trabalho, ele por adorar a vida militar e eu... por amar o meu e por muito, mas muito medo de sofrer tudo novamente! mas somos muito amigos, saimos para passear, conversamos bastante, ele até me peee conselhos sobre as meninas com quem sai agora!

AGORA - e o que eu penso sobre namoradas de militar hoje ? bem, eu APLAUDO DE PÉ! porque elas são FELIZES SIM! MUITO FELIZES COM A VIDA QUE ESCOLHERAM! LUTAM AO LADO DOS SEUS GUERREIROS E SÃO MUITO MULHERES QUE ENFRENTAREM TUDO DE CABEÇA ERGUIDA!então, por favor, você que chama essas mulheres de anuladas, reveja seus pensamentos!De repente se vc tem problemas com alguma mulher de militar, leve em conta de que ninguém é perfeito! Jesus não agradou a todos e acabou crucificado... imagine nós, simples criaturas DELE!

LI, TA AI MINHA OPINIÃO, NÃO VOU ASSINAR NOME PORQUE NÃO VEM AO CASO! NÃO FAÇO MAIS PARTE DO UNIVERSO MILITAR, MAS VC SABE QUEM SOU EU!

PINK LADY

Lucy disse...

Ai, meninas, é isso aí mesmo. Concordo com vcs e não tenho mais nem o que dizer pra esse bando de desocupadas que ficam querendo criticar qualquer um que se levante para mostrar todos os lados de um relacionamento que parece tão difícil para alguns, tão sacrificante para outros, mas, na real, é mais um relacionamento com as suas peculiaridades. Enfim, não tenho mais comentários sobre esse povo chatinho...

E vamos vivendo nossas vidas felizes, nos preocupando em construir nosso futuro como pudermos, deixando de lado essa atitude fraca de apontar o dedo e criticar todo mundo!

P.S.: isso é coisa de gente frustrada, que se deu mal e agora quer bater (e culpar) todo mundo as próprias quedas da vida.

Bjos, amigas lindas! \o/

Laila disse...

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena."

Fernando Pessoa

Pra essa gente de mente pequena, só o que temos a dizer é que, se fosse mentira, agredeceríamos por ser excelentes atrizes.
^^

Bah Comunicação disse...

LI,

Comecei a ler teu blog e ADOREI!
Não imaginava que você escrevia TANTO e TÃO BEM!!! Parabéns !!!

Me sinto lisonjeado por poder começar a trocar informações com alguém com este conteúdo!!!

Mantém este teu trabalho que tu mereces muito,

um abraço

Marcello Pauletti (bah comunicação-RS)