18/04/2008

O arrogante e o solitário

A janela do msn abre. Depois do “oi” respondido, você precisa olhar para a foto de exibição, lembrar qualquer coisa da pessoa e introduzir uma conversa. Optei pelo óbvio: “E aí, como vai o trabalho lá no Jornal X?”. Ele reclama que não lhe dou atenção como antes (2 anos atrás!). –Sou avessa a pessoas que tem baixa auto-estima e se humilham.-. Adverti-lhe sutilmente que não lhe cabia o direito de julgar minhas atitudes, pois eu estava ocupada.

Você chuparia essa manga e se mancava, né? Que nada, tem gente resistente. (*revirando os olhos, bufando*). O indivíduo introduz um papo de que está realizado na redação e que agora apresenta um programa. Eu mando meu “legal”. (Mulheres que dizem “legal” não querem papo, será que os homens não lêem nosso dicionário?). Ele emenda em uma observação de remover o estômago: “Não agüento os invejosos da minha faculdade, só vêm até mim para perguntar como vai meu trabalho no Jornal X”. Até, então, eu mantinha a conversa no ritmo uma palavra por minuto. Não pestanejei e mandei: “Pode ser que você viva tão ocupado com seu próprio trabalho que não forme círculos de amizade na faculdade. Termina que as pessoas, quando lhe encontram, só têm esse tema para abordar, por pura falta de assunto e tentativa de simpatia”.

“Que nada! Querem ser o que sou mesmo. Há garotas que se insinuam para mim”, contesta. (Eu estava tentando consertar o que tinha dito, mas depois dessa reiteração, eu não seria piedosa.) “Nesse caso, acho que pode ser mesmo arrogância sua”.

Terminou com ele escrevendo 300 frases explicativas e duas horas depois recebendo meu ácido: “Tchau”.

É foda. Desculpe a palavra, não é do meu tom. Mas só o “foda” resume essa situação. O cara entra na redação, fantasia que o mundo inteiro lhe cobiça e só se aproxima por interesse. O ego inflado é capaz de ilusionar invejosos que não passam na maioria das vezes de pessoas que na verdade ignoram a existência do Narciso.

***

Um amigo mantém a aliança no dedo. Não há namoro, não há mais laços de afeto para manter a distância de vários estados que os separavam. Ela já enfatizou que se a chamar de “amor” vai parar de falar com ele online. Mas, não adianta, confessa que precisa da aliança, das fotos, das lembranças, pois se sente capaz de viver o amor sozinho. Simplesmente não quer esquecê-la. Nessas horas, não há conselhos, apenas uma mão sobre o ombro e um olhar de respeito. Não se pode mostrar as pessoas que a vida passa muito rápido e há muitas outras legais por aí com quem viver novas experiências. Elas precisam descobrir isso sozinhas. Isso vindo de um homem bonito, inteligente e legal é ainda mais triste de se ver. Um nó na garganta ao pegá-lo no meio de uma aula girando o anel no dedo. Como o amor solitário dói! Uma “dor quase física”, conceituou uma amiga uma vez. Já doeu em mim 3 consecutivos anos, sem tirar uma noite! Hoje, consegui romper com a aliança e me descobri muito mais feliz amando a dois. Juntos é bem mais alegre e vale a pena. Espero que meu amigo não tarde a se libertar de um fantasma da memória. A vida real é mais divertida.

Li Mendi

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