18/03/2008

A vida em linha curva


<A gente invariavelmente traça uma linha reta em nossa vida com sinalizações para os nossos objetivos. Primeiro fazer o colegial, depois pré-vestibular, ingressar na universidade, estagiar e trabalhar. Só que, meus caros, há muito mais coisa entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, já dizia Shakespeare. É justamente a cadeia de imprevistos que nos coloca em curvas de retorno e reinvestem nosso ser de sabedoria trazida com a experiência. Quem começa a bater no volante e xingar, preocupados com a gasolina gasta a mais, perderá a bela vista das paisagens não observadas antes.

_ “Eu estudei economia, fui ser gerente de banco e, em um dado momento, estava no departamento de gestão de produto da empresa. Por conta disso, acabei sendo o elo entre o banco e uma agência de publicidade. Caso aprovasse uma campanha que fosse um fracasso, perderia meu emprego e não pagaria as contas do supermercado. Isso seria um baita regresso, já que eu sustentava meu aluguel, meu carro e minha vida independente. Bom, eis que o chefe da agência me deu uma verdadeira aula explicativa de por que aquela campanha tinha elementos estratégicos para o sucesso da veiculação do produto. Depois, descobri que estava nada mais nada menos que na frente de Washington Oliveto, um dos maiores, senão o maior, publicitário que o Brasil já conheceu. Fiz MBA em marketing e vários cursos, até que acabei aqui dando aula publicidade e mantenho uma empresa de consultoria. Hoje, já estou em patamar econômico satisfatório em minha vida...”

O simpático professor da aula de redação publicitária começou com este depoimento o seu curso e arrematou com um sorriso de quem sabe o que diz:

_A vida te coloca em curvas. Você começa estudando uma coisa, trabalhando em outra e, quando vê, termina em uma terceira via que dependia de todos os conhecimentos anteriores. Os medíocres se prendem a uma linha reta e se sentem fracassados caso não consigam ver realizado o seu planejamento de vida.

Eu sorri e abaixei a cabeça, dando uma leve mordidinha na tampa da caneta bic. Alguém passou algum relatório prévio da minha história para ele? God!

Lá estava eu: uma jornalista graduada, no meio de uma turma de quarto período de publicidade. Rostos ainda com traços finos, falas ingênuas e amedrontadas, um clima de sonho e imaturidade, no ar, quase infantil. Sentei-me na última carteira, com meu cérebro a mil e o corpo mudo, quieta a observar aquele universo que nem lembrava mais. É preciso ter humildade para o regresso e se despojar do ego. Quem quer aprender mais deve estar disposto a abrir espaço nas prateleiras do cérebro.

Já não foram poucas (posso dizer centenas) de vezes em que pessoas me criticaram por eu ter feito da minha vida profissional um autódromo repleto de curvas em “s”. Eu sei que tinham expectativas sobre mim, mas não posso viver por elas, viver por mim mesma já é bem difícil.

Uns me falam de um dom que tenho para escrever. Mas jornalismo não é só isso. Envolve uma teia de funções muitas vezes sacais, burocráticas, cansativas e chatas. Jornalismo não é ser escritor. Pintor de parede não é pintor de telas! Ok, não vou perder meu tempo me justificando a elas.

Achar que nascemos para desempenhar uma única função é nos limitarmos ao patamar medíocre. As pessoas são capazes de realizar diversas tarefas bem, o que lhes falta é a coragem de mudar e se predispor a descobrir se podem ser sucedidos em outras áreas.

Vivemos e uma sociedade diferente das de nossos pais, onde os empregadores queriam funcionários de carreira. Hoje, eles anseiam por cérebros que façam a diferença, não por fidelidade à empresa. A rotação entre os empregos engrandece a bagagem de experiência das pessoas.

Foi assim que comecei a trabalhar em uma loja e gostar de lidar com produtos, aprender a administrá-la e lidar com os fornecedores. Nesse meio tempo, pensei: “vou estudar o comportamento dos consumidores”. Em Dezembro, colei grau em jornalismo e agora em março já estou fazendo minha segunda faculdade, agora de publicidade.

_ Ela está errada. Já saiu de uma carreira que tem um mercado limitado para cair em outra pior, isso não leva a nada... _ falava uma colega do meu irmão, enquanto os dois pegavam sol na beira da piscina.

A minha vida não é o que vai acontecer ali na frente, é o que acontece agora. Assim, aprendo mais aqui na práxis, estudo mais acolá na teoria e vou de curva em curva vendo no que dá.

Mas vai dar onde? Vai ser jornalista ou publicitária? Vai ser autônoma, trabalhar em empresa privada ou prestar concurso público?

Eu posso não saber?! Licença, mas eu posso.

Uma coisa é clara, óbvia e aconselhável: não devemos ser estudantes profissionais. O salário deve começar a engordar a conta no banco para não ficar tão longe o dia em que se pode comprar o próprio apartamento e bancar a conta do supermercado. Nesse quesito estou saindo da estaca zero e este é um segredinho que guardo comigo, enquanto os outros estão tão desapontados com minha “quebra de regras” e lamentando por eu não ser a jornalista da Globo. Certas vitórias a gente guarda só para a gente e partilha com poucos, bem poucos que merecem participar do seletíssimo grupo de amigos-irmãos.

Volto no próximo post para falar da importância destes verdadeiros amigos no período em que estive muito mal de saúde há poucas semanas.

Li Mendi


P.S Minha internet volta dia 26 e com elas meu livo online e meus posts no blog. Obaaaa. Beijo especial para a Ana Carol que deixou um coment lindooo.

4 comentários:

Aninha Barreto disse...

LI amiga linda!!! que saudade de vc viu!!!!!!! nossa... vc faz falta demais mulher!!!!!!

suzy disse...

Weeeeeeeeeeeeee! editoras de volta ao blog, ebaaaa! tava com saudades...

andei vendo os últimos posts sobre as críticas a vcs, preferi não me manifestar, só tenho a dizer/pedir que não desistam. Vcs desenvolveram e ainda continuam desenvolvendo um trabalho muito importante através desse blog aqui. E Lucy, isso serve para vc principalmente!

Sabe, meu namorado ainda está no 2o ano da Aman, bem q eu gostaria de continuar lendo texto relacionados a este meio, assim como era no blog anterior... so q mesmo não sendo, mesmo com blog tendo mudado bastante a temática, eu não perdi o carinho e muito menos o interesse por aqui!

ah, so quero fazer um comentário sobre o seu texto de hoje, Li. É em relação ao estudo e trabalho. Gostaria de complementar o q foi escrito dando a minha opinião sobre a parte do texto em que voce falou dos estudantes profissionais...
Eu não acho se pode generalizar todos os casos, nem sempre é claro,óbvio e aconselhável q devemos trabalhar enquanto estamos estudando. Estou falando isso por mim, pq já tenho objetivos claros, corro muito atrás e dou bastante gás para alcançá-los.Porém no meu caso ainda não é o momento de começar a estagiar/trabalhar pq acho q atrasaria meus estudos. Estou me preparando para concurso e faço faculdade numa federal, então tento me adiantar como posso por enquanto, pois quero me formar no tempo certo então não tem jeito, tem dia q tenho aulas de manhã, a tarde e a noite.
Pretendo começar a fazer estágio na minha área sim, mas não por hora. Sei muito bem o quanto é importante ter prática em vez de ficar só na teoria...
Não quero de jeito nenhum ser uma eterna estudante. So que para mim no momento é melhor me esforçar e estudar um pouco mais do que ter 500 no bolso todo mes. Estudo é um invetimento a longo prazo, sei q pode demorar mas espero colher o q estou plantando.

Enfim,não quero aqui dizer q devemos só estudar, ou só trabalhar e q não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo mas q CADA CASO É UM CASO....

Beijão meninas!

Li disse...

esse pc da facul tah sem acentos aff.
Oi, Su.
Realmente eh importante a teoria. Eu me referia aos estudantes profissionais aqueles que acabam a faculdade e fazem mestrado, doutorado, outras faculdades e nunca fazem estahgios ou qq trabalho.
Pahrabehns pelo planejamento da sua carreira, vai ter muito sucesso e eu vou torcer aqui por isso. Um beijooo no seu coracaho.

Lucy disse...

Aiai... não sei como é a minha vida, só sei que eu to tentando caminhar sempre pra frente. De vez em quando, eu paro pra tomar uma agua, conversar, me perder no tempo... pq como eu falei num dos meus textos, a vida é se perder mesmo. É perdendo que a gente acha, né? (risos) De qq forma, a gente vai construindo o caminho aos poucos. E eu realmente acho que todo mundo é capaz de fazer qualquer coisa, é só respirar fundo, não se estressar e fazer. Uns podem ser melhores que outros e determinadas atividades, mas no geral, todo mundo tem capacidade, sabe... enfim... =)

Puxa... que saudade de ler suas idéias, amiga... volta depressa pra gente poder papear!!! Bjux no coração!!!