24/03/2008

Aluga-se cachorros, arrenda-se homens

As japonesas não querem ter filhos, mas aceitam a idéia dos cachorros. De repente, virou febre e os bichanos ganharam verdadeiras lojas de departamento, grifes de roupa e joalherias. Não ter um felpudo de quatro pernas passou a ser o padrão anormal. Eis que começaram a alugá-los. Quer dar uma voltinha com um filhote engraçadinho pelo parque e não precisar levar para casa? Pague uma pequena tarifa.

Entramos na “Era do Acesso”, como teoriza o Rifikin. As pessoas não querem ser proprietárias dos objetos do mercado em primeira instância, mas terem uma experiência de consumo. Nos EUA, é comum o aluguel de carros; na França, o de bicicletas. As grandes corporações viraram “empresas andorinhas”, que detém o capital humano e aluga toda a estrutura, que se torna descartável rapidamente quando precisam mudar para um país que torne a produção mais rentável.

As pessoas querem ter acesso e também experimentar as sensações trazida pelo ato do consumo. Esta nova lógica me faz lembrar das aulas de arte. Em um primeiro momento, os quadros ficavam estáticos na parede. Havia uma verdadeira separação entre o sujeito e o objeto. Hélio Oiticica retirou a moldura do quadro, depois o pendurou no espaço. Por fim, fez instalações em que as pessoas podiam tocar, entrar e transpassar suas figuras geométricas. Começa assim o boom das instalações que são propostas sensoriais.

Olhe para as boates de cima. Veja o carinha sentado à mesa com uma garrafa de bebida cara. As gatinhas se aproximam e querem estar ao lado daquele que parece ter dinheiro. (As garrafas em boate são um “código de barra”.) Uma delas é escolhida, ouve um papinho furado ao ouvido e começa o pega aqui pega ali. No fim, cada um para seu lado. Esse clipe tão conhecido não tem um pouco a ver com a lógica da sociedade de consumo? No lugar de relacionamentos cheios de percalços, as pessoas procuram experiências rápidas de carinho. É o acesso ao afeto.

Até amigo já se pode pagar. Não me olhe com esta cara, nunca falei tão sério. Li em uma revista que, nos EUA, pessoas se oferecem para conversar e dar conselhos em um encontro com o cliente desconhecido, marcado previamente.

Em uma era de acesso, ainda sou convencional e, no quesito amor, não vendo, não troco, não alugo, não empresto, não deixo tirar lasquinha, ou cumprimentar com apertãozinho no braço (por que certas mulheres não podem dizer oi, acenar com o rosto, sem mãos? Vão logo dando aquele pegada no braço enquanto trocam beijinhos para sentir os músculos bem malhados. Totalmente desnecessário! Aff). Não dou acesso! Hahaha!

Fonte= Imagem

Li Mendi

Um comentário:

luana disse...

Ah Li olha eu aqui de novo..srrsrsrrs
Sabe eu também penso assim, hoje tudo anda tão descartável, o carinho, a amizade, o sexo... prazeres momentaneos e eu me pergunto qual a graça está nisso???? eu não vejo nenhuma...o gostoso é ser cúmplice, saber o que o outro quer dizer só com os olhos,com o silêncio..e não falo só no amor, nas amizades, na família.
Abaixo o consumismo!!!
Bom dia a todas!!!
Beijocas