04/11/2007

TCC, Teste comprovador de coerência, mais conhecido como Trabalho de conclusão de curso, a velha e antiga “monografia” para os graduandos

Não importa o que vá dizer, diga com base e diga bonito!

Entrei na faculdade de jornalismo e ouvi a historinha do vendedor de peixe. Um homem colocou a placa “vende-se peixe fresco aqui”. Se o peixe está na feira é óbvio que está a venda e não, para doação. Que é peixe não contesto, afinal, ninguém desconhece o formato do bicho. Fresco só pode estar, porque o cheiro de podre condenaria. Ali é claro que também está, não estaria no chão, nem no toldo da barraca. Ou seja? Não precisa de placa. Mas, na hora de escrever seu TCC, esqueça todas as regras de objetividade jornalística.

Entra em ação o embrometion...err, quero dizer, a retórica. O que você puder dizer com três palavras não diga com uma. “O foco do trabalho é...” coisa nenhuma, melhor, “O objetivo central da presente pesquisa é elucidar...”. Quanto mais braço tiver a centopéia melhor!

Quatro meses escrevendo assim, chega o momento de elaborar o resumo. Antes, procure na lista telefônica um analista, terapeuta ou um psicanalista, porque depois de passar dias de tormento tentando colocar 100 páginas de trabalho em 200 palavras, você irá entrar em neura. Mas o profissional será acionado mesmo no fatídico (veja o vício do uso de palavras difíceis, que você tomará mão só para não passar o atestado de adolescente- viciado- em- gíria- alienado-e- sem- vocabulário) momento que ver o ponteiro do mouse piscando na tela e o título do seu trabalho simplesmente não aparecer. 100 páginas em uma frase merece o Oscar ou o Pulitzer, quem sabe até uma indicação para Academia Brasileira de Letras.

Quando se aproxima o dia da sua execução... quero dizer, da sua defesa, começam os sintomas sérios de pânico e fixação. Estava borrifando o meu delicioso perfume quando li a palavra “monografia” no vidro. Espremi os olhinhos e aproximei o rosto do frasco. Ufa, era “Biografia” o nome.

Eis que chega o derradeiro momento de caminhar para o corredor da mor... , err, cof, cof, das salas. A sua já está esterilizada para recebê-lo a fim de lhe proporcionar uma morte limpinha, com direito a algodãozinho umedecido no álcool, antes da agulhada da avaliação. Sem claro, ser abstido da platéia. Se é para se ferrar, que seja com estilo e o apoio do grande público.

Banca me lembra balcão e a posição de cliente “que sempre tem a razão”. Mas, neste caso, tudo que você escreveu poderá ser usado contra você. Por isso, escolha bem os doutores que irão ler (?) o seu trabalho.

_ “Eu quero ser bem avaliada!” _ já posso ouvir as nerds levantando seus óculos sobre o nariz com ajuda do dedo médio.

A última nerd que ouvi falar isso escolheu uma professora que escreveu de vermelho nas margens de todas as folhas e fez um dossiê de inquisição com o trabalho. Tomou a questão para si e começou a bater boca com os outros da mesa para convencê-los de que eles estavam sendo bonzinhos demais. Ela apontava para cada parágrafo como quem indica “eis aqui a prova do dia do crime”.

A nerd saiu arrasada, enquanto seus amiguinhos abraçando seus 10 faziam uma prece pela felicidade e saúde eterna dos seus professores coringas.

Professor coringa é aquele que não entende nada do assunto e vai adorar aprender com o seu trabalho. Mas não avacalhe, uma defesa sobre Sartre avaliada por um professor de biologia molecular é picaretagem. Pegue menos pesado. É importante levantar o passado político dos convidados. Busque na crônica não oficial da memória oral da instituição (fofoque por aí) qual mestre tem picuinha com outro mestre. Tentar atrair estes pólos opostos será apertar a corda no pescoço e chutar a própria cadeira.

Ah! Não pense que seu orientador não poderá te surpreender. Puxe a ficha completa e os antecedentes, converse com testemunhas e só aí bata o martelo. Já vi gente ser acusada impiedosamente por aquele que deveria ser o cúmplice da tese. Aí, dá vontade de dizer: “Puta que pariu, por que não me falou tudo isso antes?”

Existe o orientador com nome, o orientador com tempo e o bom orientador. Ter todas as qualidades reunidas no mesmo indivíduo é tão difícil quanto uma calça que deixe a bunda empinada, a barriga sem pular sobre o cós, confortável nas coxas e sem marcar a região central. Ou seja? Contente-se com um dos fatores. O que tem nome irá ser isso: um nome na capa, porque ele provavelmente viajará para um congresso quando você estiver chorando e perdida, abrindo e fechando seu e-mail sem sucesso de qualquer resposta. Aquele que tem tempo é excelente, mas pode te acrescentar tanto quanto um amigo ou um bom livro sobre o tema, mas não se deprima, ele tem tempo para pensar junto, ler o trabalho e opinar. Isso não é de todo ruim. O bom orientador é aquele que está começando a carreira, quer mostrar serviço e fazer nome. Ele responde e-mail, lê sua pesquisa e te dá tesão... para escrever hen!

Não importa o quanto esteja bom o seu trabalho a ponto de virar livro e encabeçar a lista dos best-sellers, os examinadores irão achar uma falha, nem que seja só para provarem que leram. O nome “defesa” deve te trazer alguma pista para o que te espera.

Por isso, use a retórica a seu favor. Os sofistas na Grécia não se importavam se os seus argumentos tinham fundamento se fossem coerentemente defendidos. Nem mais nem menos, seja sofista:

_Eu acho que você não focou nesse ponto... _ diz a banca.

_Eu não foquei neste ponto porque acho que o tema é amplo e eu adotei a linha teórica de enfatizar o ponto x e o ponto y em detrimento de outros. Mas acredito que um trabalho mais profundo no futuro mereça esse enfoque.

Se você conseguir fazê-la ficar com cara de “vou votar nessa garota”, ótimo, um ponto ganho.

_Você não soube especificar bem a sua opinião sobre o ponto Z. _ condena a banca.

_A minha opinião sobre o ponto Z foi justamente de que ele ainda não foi muito bem definido pelos teóricos deste campo de estudo. É um tema recente e pouco explorado, acredito que com pesquisas futuras as fronteiras argumentativas sobre a questão serão mais precisas.

Diga tudo, mesmo que não queira dizer nada, com convicção! Nada de creme hidratante ou pó compacto, será um dia de muito óleo de peroba antes de sair de casa.

Não se altere para o lado da irritação (isso só fará a banca querer te destroçar por pura rivalidade), nem da autopiedade (você estará vestindo a carapuça), ou concorde (você estará se traindo). Sorria!


Fonte= Imagem

p.s: Ainda estou na fase de revisão do TCC. Estou nervosa demais! Fim de semana delicioso com meu amor. Chuva + filme + pipoca + sorvete+ beijo na boca, quer mais? Quer coisa nenhuma, é meu! rs.

Li Mendi

6 comentários:

Deco disse...

Oi Li

Valeu pela visita e pelo link! É bom ter uma pós-graduada em cancerianos por perto... rsrs. Bjo

aninha disse...

oi amiga linda!!!!! que inveja de vc...rsrsrs!! eu fui pra minha city e passei frio por lá!!!!! mas ta valendo!!!!! as férias estão chegando!!!!! até que enfim!!!! bjão!!!!!! e sorte no tcc!! to torcendo por vc!!!!!!!

titta_* disse...

Eeeeeeeeeita!!! eu até fiquei nervosa me colocando no papel da "condenada à morte" ai e imaginando tts pessoas me olhando e me julgando..o.O
faz assim não,Li!! eu choro! =õ(
kkkkkkkkkkkkk...

boa sorte então!!

bjo grande =**

Deisinha Rocha disse...

Oi Li...

xiiii...

vai na fé, mana...

sei q vc consegue...

sim... consegue...

torcendo pra q vc passe pelo corredor da morte em segurança...
rsrs


bjOo ni vc...

Lucy disse...

Essa daih eh guerreira, rapaz! Nem passou ainda pelo sinistro e já tá expert!!!

Depois da defesa, hein? É só alegria, rapaz!!! \o/

Vamos, Li! Tá quase no fim!!! ;)

Gisele Lioli disse...

estava lendo todo o seu blog, e o que me chamou atenção foi essa descrição sobre o TCC, eu passei por isso e vamos combinar? pressão demais!!!!

beijos sucesso no seu blog