24/10/2007

Depilação Feminina


_ "Tenta sim. Vai ficar lindo."

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria.
Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos.
Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal.
Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos,gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue.
Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão.
Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça.
Meu Deus, era O Albergue mesmo.
De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- é... é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer maisainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.
De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha
Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o SAMU. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve teraprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta".
Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la.
Fiquei pensando nela acordandoà noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim... sonhei de novo com o cu de Uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos?
E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado. Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre acortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Queria comprar o domínio www.preserveasvaginaspeludas.com.br
Filha da puta foi a mulher que inventou a "cavadinha”.

[Autor= procurei no Google, mas não achei :( ]

**No post abaixo, a versão masculina (Que eu achei ainda mais engraçada!)

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Obrigada pela dica, Ana Carolina!Vou mesmo à Blue Shop comprar o vestido! Ano passado comprei um preto lá. É ótima! Mas abriu uma outra loja de vestidos de baile no mesmo andar. Vou dar uma conferida antes.
É sempre um estresse a saga de comprar vestidos. Ficam lindos no cabide... até você vestir e constatar que a sua barriga parece de grávida neles. Ou que você não tem comissão de frente nenhuma para encher aqueles bojos. De repente, você acha que ficará um cisnei, veste, e se vê uma pata no espelho. Enorme, quase uma representante da ala das baianas. Enquanto você tem a crise existêncial dentro da cabine, a vendedora pergunta: "Posso ver?". Qual é? Ela quer passar o atestado de ridicularidade? Pior, mesmo que pareça tenebrosamente feia, vai dizer: "Ahhh, caiu superbem em você". Ai, dou aquela viradinha básica e está lá minha bunda praticamente transparente naquele vestido rosa lindo para o qual rendi mil elogios. Beijos para todas vocês que sabem como eu que é difícil ser mulher! Li Mendi

Fonte=
Imagem

16 comentários:

Pimentinha disse...

ahahaha, não sabe cada gargalhada que eu dei aqui. Me vi na mesa de depilação e é foda mesmo!

Bsinhos a todas

Tati Martins*

Bernardo Lima disse...

hahah
q comédia...
n entendi mt bem se foi experiência própria ou copiado de algum lugar...
pq o autor ta escrito a parada do ggogle...
mas enfim, mt foda...
rsrs
bj, cavadinha!

Kielma Farias disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
super engraçado é realmente quem depila sofre
adorei o blogger vou voltar sempre

*Thâmara_Cristina* disse...

Oi,retribuindo a visita...que texto mais louco e corajoso,gostei!

JulianaGomes disse...

hIUAHIUHAIUHAIUHAIUHAIUHAUIHA

MEW, rii demaisssss agora!! mto bomm!!

bjjos

mell disse...

ushuahsuahsuasuahsuausaushausausaushahs

aaiii liii... bem coisa tua esse texto!
asuausaushusaus
cheguei a chorar de tanto rir!
mas falando serio, depilaçao eh fodaaa mesmoo!
sauhshuuhsassa

Li disse...

óh, o texto não é meu não tá?
eu não achei o autor no google. procurei procurei e não achei rs.
mas é hilário.

Lucy disse...

A "parada do google" é a explicação de que a Li não achou o autor! =P

Gente, muito bom tê-los conosco nessa viagem!!! \o/ Sejam muito bem vindos e voltem sempre!!!

Ali na mesa temos goiabinhas de todos os sabores, chá "Dona Deisinha" e café "Luttita". Fiquem à vontade!!!

Ana Carolina disse...

Li...essa do vestido foi ótima...pior que o que vc mais gosta é o que fica mais estranho, não tem jeito!!!rsrsrsrs...tem outra loja no norte shopping, na andar de baixo, perto da renner...na outra ponta do shopping...rsrsrsrsrs...por isso que gosto de vestidos com panos mais rossinhos..pelo menos minha bunda não fica aparecendo!!!rsrsrs

Ana Carolina disse...

Aii li, voltando..li agora o texto da depilação..me escangalhei de rir...cavadinha...rsrsrsrsrsrsrsrs...muito bom!!!não sei se a tal autora desconhecida passou por isso, pq se passou, que humor hein!!!

Carol Cardoso disse...

Oie Li, adorei o blog!! Esse post é muito engraçado... essa depilação é um tormento!!!

Valeu pelo comentário no Sexo em Pauta. Sempre tem novidade por lá.

Beijos.

Carol

Dika disse...

hahahaha ri muitooo aqui imaginando a situa�o constrangedora. Nossa, eu nunca fiz... e agora vou pensar 10 vezes antes de querer fazer isso. Mas voc� � corajosa hein. =D
Gostou do resultado? hahahaha
___

N�o s� o texto bem escrito mas o blog todo � muito bom. Vou linkar ele no meu. N�o posso perd�-lo de vista, n�?! Parab�ns.

E obrigada pela visita l� no meu...
Bjos

Dika disse...

ps: esqueci de perguntar: Foi vc que passou por essa experiência ou foi outra pessoa? =S

Dika disse...

Desculpa, sou meio lerda.

rsrsrs

http://digaoquequiser.blogspot.com

luana disse...

hil�rio

An@Lu disse...

não sei se já disseram o autor, mas são essas aqui ó:
http://redatorasdemerda.blogspot.com/

e o texto fez sucesso quando foi publicado aqui: http://banheirofeminino.terra.com.br/

Meninas, acho que nós lemos as mesmas coisas :)!