28/10/2007

17 anos de fase zigótica até tirar meu Gostosa Card

Semana passada aconselhei uma amiga a deixar de ser boazinha. (Um mal de que já fui acometida). Aliás, eu vivi uma fase zigótica até os 17 anos. Só saí do útero quando entrei na faculdade. Até então, eu só tinha o projeto de passar no vestibular. Eis que vejo meu nome na lista do jornal e sou parida para o mundo com sua luz forte, ofuscando meus olhinhos ingênuos.

Eu era idiota, acredite! A primeira pergunta que fiz para uma conhecida que estudava na federal para onde eu iria: "Como as pessoas se vestem, o que elas levam para a faculdade"? Eu não falei que eu era idiota? O que eu pensava? Que as pessoas iam vestidas de baiana e carregavam um computador no carrinho de feira? O fato é que eu estava saindo de uma escola rígida e com um regime de aulas que incluía as tardes e os fins de semana. Segunda pergunta para a Fulana, quando me levou para conhecer a faculdade: "Pode entrar assim direto, não precisa pedir licença para ninguém?" Eu disse que eu era idiota? Não, era muito idiota!

Pare de tentar me defender e já pensar em abrir um comentário para escrever: "Li, você está sendo muito cruel consigo mesma". Eu realmente era um bichinho amuado no canto da sala. Minha cabeça virava um grande tomate trangênico maduro e vermelho quando o professor perguntava a minha opinião. Se eu tinha uma dúvida que guardasse para mim ou procurasse no google depois. Azarar os gatinhos nem em meus sonhos mais fictícios.

A primeira vez que usei um brinco comprido fui cruelmente ridicularizada por uma patricinha que ia de van comigo: “Nossa, parece uma árvore de natal”. Eu quis chorar, tirei-os e me convenci de que nunca seria titular de um Gostosa Card.

Eu aprendi que ser sexy é uma questão de espírito e um bom quite “Desembarangueitor”. Como eu esperava ser bonita dentro de um jeans de pedreiro surrado, sobrancelhas de Frida Kahlo, unhas de lavadeira e blusão de moleton? Eu tinha medo de ir para o inferno. Não ria, eu tinha. Achava que devia ser assim, feinha, introspectiva, boazinha, tenha dó!

Comprei meu primeiro esmalte escuro e me sentia provocando uma revolução. Depois, experimentei a minha primeira mini-saia e desejei não sair da cabine de vergonha. O tênis também teve que dar espaço para os saltos altos, bem altos. Enfim, a ruptura umbilical: cortar o cabelo que era lambido e hermeticamente partido ao meio, vindo parar na cintura. O cabeleireiro me perguntou “Tem certeza disso” como se eu estivesse preste a fazer uma tatuagem de dragão nas costas que nunca mais sairia. Os fios desfiados começaram a voar pelos ares e, quando ele me deu o espelho, temi: “Será que quando disser oi vão pensar que uma estranha invadiu a casa?”.


Mas, se você pensa que isso tudo é o suficiente para tirar o seu Gostosa Card do bolso, ledo engano! Agora vinha a parte difícil: ser sexy e isso é uma arte milenar que me foi passada pelo meu grupo de amigas que me viram quase como um bichinho de laboratório em fase de testes.

_Li, vamos para Balada! _ me telefonaram.

Eu perdi a voz e quase virei um daqueles cisne de gelo de restaurante chique ou uma daquelas figuras do museu de cera de Londres. Tinha passado anos da minha vida na igreja rezando e ouvindo que era pecado, que não podia, quer era o templo da perdição, da maldição, um inferninho, um lugar... Ai que medoooo!

_Não posso ir, minha mãe não vai deixar.

_Você pede e depois telefona para a gente.

Eu fiquei olhando para o telefone na mão horrorizada com aquela experiência científica e decidi pedir para minha mãe. Eu ouviria um não mesmo. Mas ela disse: “Claro, pode ir”. Nãoooo, ela disse sim!

_E aí, vem ou não vem? _ retornaram a ligação, sabendo que me venceriam pelo cansaço.

Cheguei na casa de uma delas como quem vai ser preparada para algum ritual condenado e oculto. Elas me sentaram na cadeira com as mãos no meu ombro e eu olhei para o espelho. Pó, lápis de olho, rímel, chapinha, colares, brilho, roupa preta. Se fosse filme se chamaria “Transformers”.

Elas, então, se posicionaram na minha frente. Uma era loira e baixinha e vestia rosa. A outra era negra e linda, vestia um lenço prata no cabelo de trancinhas, depois a ruiva de cabelos cacheados e a de grande comissão de frente com um big decote. Restava eu, ali sentada na cadeira olhando-as.

_Preste atenção! _ uma delas começou. _ Se os carinhas vierem, você continue dançando...

_Eu não sei dançar. _ falei com voz de pânico.

_... Você faz o joguinho.

_Como é joguinho? _ fiz uma careta.

_Aí, você diz não. Não com classe. Vamos ver quantos “nãos” vamos contabilizar.

Isso era fácil, óbvio que eu ia dizer não. Nem precisavam mandar fazer.

_Agora... _ uma olhou para as outras e deu um sorrisinho assustador e todas se aproximaram de mim, afastei a cabeça para trás. _... Se quiser beijar, beija muitooooo.

Elas deram um gritinho tribal que me arrepiou do pelinho da perna até a nuca.

Chegamos na fila da boate e sentimos os olhares se virarem para nós, tentei me manter atrás delas, o mais escondida possível cheia de perguntas: se paga na entrada, ou na saída, como se dança e se eu me perder lá dentro... A única certeza é: “diga não”, repeti para mim como um mantra.

Não estou mentindo, éramos quase as Spice Girls, porque cada uma tinha um estilo muito diferente. Reparei no grau de segurança, no nariz arrebitado e na cara de metidas que elas incorporaram, como se o mundo fosse algo a ser pisado por seus pés. A noite é isso, um clã de personagens, um palco. Essa foi minha primeira lição prática.

Quando entrei, vi os carinhas (Para quem eu diria “não”) se cutucarem para olharem as seis garotas se debruçando sobre o bar. Será que eles podiam ouvir o quanto meu coração estava batendo forte? Não, a música era alta demais e os quatro DJs os mantinha bem hipnotizados. E viam minha cara de aterrorizada, como em algum cenário do filme “O Grito”? Também não, a fumaça artificial dava conta de fazer um fog no meu ar de terror.

_Vamos dançar, garotas?! _ elas pegaram suas garrafinhas de bebida e eu larguei minha água lá mesmo.





Eu ia precisar me exercitar bastante para gastar aquela fortuna em consumação de água ou refrigerante. Só se comesse, mas nesse caso, alface de hambúrguer no dente definitivamente não!

Acompanhei-as mais com medo de me perder delas que com vontade de dançar. Elas formaram um círculo e levantaram as mãos no ar, balançaram a cintura no ritual da batida frenética. Eu estava ali, naquele lugar de que me falavam para nunca ousar entrar, pois o melhor era ser uma menina centrada, séria, boazinha, de família, em casa... Mas a música começa a contaminar e trepidar nos músculos. Os olhares alheios vão se deslocando para nós e se inicia a movimentação ao nosso redor. Vem aí a regra seguinte: ignore. Dance, dance!

Eu entendi o que elas diziam com “Você na hora vai saber dançar”. É só levantar os braços e mexer todo o corpo no ritmo do Techno, fechar os olhos e esquecer tudo. Só existe a música, o seu corpo suado na roupa colada e o cabelo dançando no ar de um lado para o outro. You’ve got the power!

Os anos se passaram (nossa, isso é frase de quem está ficando velha) e hoje, ao reencontrar as pessoas do colégio, nenhuma me reconhece. É triste e é um prazer. Mas aprendi a ser má. A parar com aquela sandice de falar o que as pessoas querem ouvir, a ser um capacho para pisarem, a ficar encolhida no cantinho. Você tem um poder e deve usá-lo, isso é ser sexy de verdade. É saber andar com passos firmes e marcados em linha reta com olhar de modelo poderosa, não é se portar como quem está sentada à margem da passarela se sentindo incapaz. É saber a arte dos sorrisos oblíquos e dissimulados; o olhar com a cabeça parada; o olhar com a cabeça em movimento; e o olhar fuzilante e repentino. Todos têm seu significado. É ter a resposta certa na ponta da língua e ser tão obtusa que desejem decifrar, mas claro, isso só serve para as inteligentes.

E para ver o seu saldo de limite no Gostosa Card, dê só uma olhadinha de lado e um sorriso para atravessar a rua mesmo com o sinal aberto ao som dos pneus cantando no asfalto por causa das freiadas bruscas, ou ser rapidamente atendida no balcão como cliente vip. As mulheres nasceram com um poder dentro de si, mas acabam torrando todo seu crédito sendo vulgares, para não dizerem dadas e asquerosamente put... isso aí. Ser sexy é outra coisa. É saber usar os truques ao seu favor e não ser promíscua.

"Ah, Li, eu tenho namorado, não preciso mais ser sexy. "_ lá vem as futuras mulheres botijão de gás- bunda de BR esburacada- pança de coxinha de galinha.

Porra, será que vou precisar terminar o texto irritada? Ser sexy é uma coisa para você é o seu poder interior de dominar o território sem palavras, só com gestos, com postura! Não é uma fase da vida, é um estado de espírito! Hoje, todas as minhas amigas (eu inclusa) estamos muito bem comprometidas e estratosfericamente mais sexies. Afinal, queridas, quem não dá assistência, perde para a concorrência! Será que vou precisar desenhar?

Melhor, deixo aqui uma dica de um blog interessante, que visitei a pouco tempo e que já entrou para nossos links, se chama
“Sexo em Pauta”.

Fonte= Imagem

QUER SABER SE É BOAZINHA NO AMOR?
LEIA O TEXTO E DESCUBRA!!! (clique aqui)

Feliz desde já pelo feriado que vem aí para eu finalmente ver meu lindo amor e curtir tudo que tenho direito! Uma semana para fechar a introdução da minha monografia. (Deus, me dá um kit extra de neurônios!) Uma baita saudade das minhas amigas. Mas já temos encontro marcadíssimo para dia 15! Comi alface (Lucy, você está ouvindo isso?) e um bife delicioso (Lucy, tampe os ouvidos!) agora pouco. Unhas vermelhas, cabelo em coque e ouvindo o Cd de Techno que meu amorzão gravou para mim com as minhas prediletas. Tá, chega por hoje!

11 comentários:

Lucy disse...

*rindo muito*
Minha amiga Li é sim uma ótima escritora!!! \o/

Ai, miga, eu amo esse teu ritmo de escrita!!! \o/

Amei!!! E tipo, me identifiquei mto com o teu tempo de 'transformers', mas minha transformação não chegou a ser como a sua, eu mudei pra caramba, mas fui em outras direções! De qualquer forma, estamos muito melhores agora!!! \o/

Bjããããão, miga!!! \o/

Carol Cardoso disse...

Oieee Li!!!!!
valeu pela recomendação!!!!!!



beijocas....

Lívia disse...

Nossa, mas não é assim mesmo que acontece!! hahaha...

Muito bem escritas as descrições. Nos mínimos detalhes, lembrei-me de que passei pelas mesmas situações assim que entrei na faculdade e etc.

Mas ainda sou a garota com medo e atenta a tudo que as pessoas querem ouvir.. sinto que não sou eu.. mas alguma coisa ainda me prende para o novo... como uma futura profissional de marketing tenho que largar isso já já! ;))

Adooorei e dei várias risadas e, ah, ajudou a abrir meus olhos! Falo sério! ;)

Grande beijoo Li.
Boa semanaa!

Autos Wallpaper disse...

Todo mundo passa pela essa fase da vida... logo se supera!

Kit “Desembarangueitor” essa foi boa, comprou nas Organizações Tabajara? kkk

Tenha uma ótima segunda,
Beijos!

http://autoswallpaper.blogspot.com

Taisa disse...

Oi Li,

Vi seu comentário lá no Saia. Você não deixou email para contato, respondo por aqui.

Que bom que depois de tanto tempo resolveu comentar, legal saber que está do outro lado :)

um abraço,

Taisa

Tita disse...

Putz esse blog tá muito bom! Acabei de ler o post da depilação masculina. RaCHeeeiii de riiirr!!! auhauhauha mto³ engraçado!
E uhh eu era bem desse jeitinho mocado no funndo escuro da sala tb! Sempre de cabelo preso, sem brincos nem maquiagem, camiseta larga. Agora posso dizer que eu era idiota! Mas com certeza não era mais idiota do que aquelas gurias que entupiam o olho de lápis preto e dobravam a calça P de uniforme pra ficar com cós baixissimo. Não por elas fazerem isso, mas pq elas escrachavam mesmo.

Li disse...

ahhh isso é ser promíscua, não é ser sexy, concordo contigo!

bjus

Deisinha Rocha disse...

Li, você está sendo muito cruel consigo mesma...
rsrs

ow God, Li...
como vc era Sandy - essa é uma expressão muito usada aki em bsb (e não, eu não odeio a Sandy, pelo contrário, gosto mto dela)...

agora estou feliz por vc ser ex-Sandy... pq até a Sandy ta deixando de ser Sandy...
rsrss

menina más vão aonde kerem... rsrs...



*torcendo mto pelo resultado do local onde o seu amorzão vai ficar.
*torcendo pelo sucesso com a monografia
*torcendo pelo sucesso com o novo livro.
*torcendo sempre pela menina Gostosa Crad..

rsrs

impossível não balançar na cadeira com essa música techno...

^^

bjOo ni vc...

Dika disse...

HUahauhah como pode hein? Até sua irritação me faz rir. Demais.

Olha, eu nunca liguei muito pra essas coisas e sempre gostei de ser a excluída. Aparência? Não é meu forte. rsrs
Tenho meu charme claro rsrs
E até hoje (já com 19 anos) não me deram este cartãozinhu rsrsrsrs
Já paguei alguns micos, garotinhas que se achavam a primeira bolacha do pacote pegavam no meu pé... E hoje em dia eu acho graça dessas coisas. Não me atinge mais.

"sobrancelhas de Frida Kahlo" sempre achei ela charmosa também haha

Enfim, ótimo texto como sempre.
Estarei sempre por aqui. ;))
Bjos

http://digaoquequiser.blogspot.com

titta_* disse...

Li! =*
só agora consegui (com calma!) ler o texto...ainda faltam algs por aqui mas vou lendo vou lendo..fica que nem a Revista da semana q rola aqui mas com jeitinho vou lendo e me deliciando! #)
eu adorei essa história de "gostosa Card" kkkkkkkkk.... recarregarei o meu sempre,sim?!
Engraçado q eu tb já fui mto assim "medrosa" com tudo e todos. Não q ainda não morra de vergonha e - sim! - engula algs duvidas e procure a resposta em casa só pra nao ter q ouvir mh propria voz ecoar pela sala de aula! kkkkkkkk....mas ja melhorei e muito! e tento me livrar dessas amarras cada vez mais!

amei o texto! me identifiquei dmais! tou com a Lucy..adoro seu ritmo de escrever!!

bjos =*************

Patricia disse...

Olá Li, quanto tempo né?!
Deis grandes risadas com seu texto, vc é ótimaaaaa.
Beijos mil.