04/08/2007

Uma imagem vale mais que mil palavras e não mais que um ato:

Lucy: _Bom dia, Lili!!! Acordei agora e já estou ansiosa para falar mais... mulher fala muito, né não?

Li: _Oi, Lucy! Sim, falamos muito. Acho que o texto de ontem estava tão grande que ninguém teve coragem de ler. (risos). Bom, já que ninguém comenta aqui e está um silêncio total, vamos tagarelar! Adoro fazer isso. O que mesmo você estava ansiosa para falar?

Lucy: _ Ah, é que eu estava relendo a nossa conversa sobre os estereótipos e lembrei que há estereotipação das mulheres de cada região. Como eu sou do norte, sei que dizem aos militares que as mulheres de lá atacam discaradamente só por causa da farda. Eu sempre fui muito curiosa em relação a isso porque eu mesma nunca vi isso acontecendo, sabe? E falam mais das mulheres do Amazonas (eu sou de Roraima, um estado acima)... com certeza você já ouviu falar que a mulheres do norte atacam, certo? Eu fico imaginando de onde surgiu essa idéia, porque mulher assanhada tem em tudo quanto é lugar (veja Resende e suas cadetinas). Você já ouviu histórias reais ou viu, Lili?

Li: _Olha, já ouvi sim. E fico pensando também de onde surgiram esses preconceitos. Não sei se aquela idéia romantizadas das “índias com lábios de mel” que os filmes passam sobre as mulheres dos trópicos. Nossa, viajei total? Mas os meios de comunicação certamente têm um dedo nisso. Não apenas na questão de “mulher ataca militar”, mas mesmo no modo geral. Eu por exemplo, uma vez ouvi de uma pessoa que fazia curso de espanhol comigo que ao chegar em Portugal e dizer que era brasileira, era vista de modo diferente pelos homens, como se fosse mais fácil. Como será, por exemplo, que falam das cariocas?

Lucy: _Ah, é mais ou menos assim também (não "fácil", e sim "malandro"). Eu já morei no Rio Grande do Norte e em Roraima, a visão deles é de que o carioca é malandro, safado, traficante e as mulheres são funkeiras, andam todas de shortinho e tal, é bem do jeito que você falou lá em um dos seus blogs. A visão é aquela que a Globo tem passado, aliás... já parou para ver a influência que a Globo tem sido na sociedade? As novelas e a sua evolução?

Li: _Nem me fale! A Globo é o celeiro de novelas acho que no mundo. Já fiz um trabalho na faculdade sobre isso. Eu cheguei a conclusão de que há pontos positivos e negativos. É uma forma de produzir conteúdo para um público da TV aberta e discutir uma série de assuntos importantes. Mas nada é perfeito, e, de alguma maneira, ela também contribui para propagar esteriótipos. O Rio de Janeiro é freqüente cenário das produções. As mulheres estão na praia de biquíni, ou dançando funk, pagode... lá no calçadão de Copacabana. Já viu o sucesso da Bebel? Uma empresa de tinta de cabelo que contratou a Alessandra Negrini ficou revoltada quando se deu conta de que ela não dá o menor ibope se comparada à personagem da prostituta. Quando a novela for para o exterior, que imagem estará passando da mulher brasileira? Os turistas que vêm para cá estão esperando o quê? As novelas da Globo são vendidas em geral para 20 a 30 países em média e isso é muito significativo.

Lucy: _Eu li numa revista comentários de cada novela e a sua influência na época. As novelas sempre abordavam um traço polêmico em algum núcleo e foram, dentro dos limites e guardadas as devidas proporções, influenciando a população. Antigamente, o beijo era cinematográfico meeesmo, ou seja, um beijava naquela parte que fica entre o nariz e os lábios, e o outro beijava um pouco abaixo, quase que totalmente no queixo. Hoje em dia, bem... nem precisa comentar. E os assuntos polêmicos que foram tratados em cada novela, lembra?

Li: _Muitos. Cada época teve que lidar com seus preconceitos. Uma das primeiras novelas a levantar a questão dos negros foi a Cabana do Pai Tomás. Acho que era esse o nome. Assisti um belíssimo documentário na faculdade sobre o histórico dos atores negros nas novelas brasileiras. E os atores contam que eles só serviam para fazer papéis de escravos, pobres, bandidos, empregados da fazenda ou da cozinha... Um dos atores negros precisava passar maquiagem para ficar embraquecido. Nos créditos, primeiro vinham os atores brancos e por último os negros. Só para se ter uma idéia das coisas grotescas para os dias de hoje.

Lucy: _As novelas têm um histórico interessante e assustador porque a Rede Globo buscou, cada vez mais, tornar o público parte disso, como no seu livro “Um Coração em Guerra”, em que os leitores podem conversar com a personagem Bela pelo blog que ela, a personagem, criou. E como teve novelas... muitas, todas com algum tema relevante para a época. E para mim, o auge dessa integração do público com o mundo fictício, porém verossímil, foi em Páginas da Vida, com as reportagens no fim de cada capítulo, no formato do segundo livro “Amor Militar, Minha Guerra”. As pessoas falando das próprias experiências, dando ainda mais peso às estórias e relevância aos temas abordados pela novela naquele determinado dia. Foi uma idéia interessante que conectou mais ainda o povo com o mundo da ficção... mas, as pessoas ficam viciadas. Antes eu achava que era por causa da curiosidade em saber como fulana resolveu o caso do marido com a secretária, tipo, para fofocar... já que não se deve falar da vida alheia, “vamos falar da vida alheia de quem não é real, assim não seremos processados”. (risos) Está dentro da idéia do que você falou de que o leitor se envolve com as novelas para reviver situações pelas quais já passou, fazendo uma espécie de releitura do quadro todo, não é?


Li: _É... uma forma de reelaboração eu acho. As obras de artes nos permitem voltar no nosso tempo da memória através do objeto criado pelos artistas, seja um quadro, um livro, ou até mesmo uma novela. Penso na responsabilidade de quem produz, pois ele inevitavelmente estará formando opiniões que pode prejudicar a vida das pessoas. Pense comigo em um exemplo muito corriqueiro. Quando conheci meu namorado, seus pais quiseram logo saber como eu era. Bom, felizmente acharam tudo dentro do normal. (risos). Mas imagina se eles morassem lá no nordeste e não tivessem a oportunidade de me conhecer e ficassem mirabolando mil juízos de valor sobre mim? Ou, para voltar ao tema do começo do post, um pai daqui, que sabe que o filho está namorando uma menina do norte e fica preocupado, se perguntando se ela é aquela dos esteriótipos. Bom, nesse caso, eu acho que só há uma solução: com nossas atitudes, provarmos pouco a pouco quem realmente somos. Só com nossos atos somos capazes de quebrar as imagens erradas que os outros fazem de nós.

Bom, gente, espero que vocês gostem das conversas minhas e da Lucy, que estará por aqui me dando uma mãozinha com o nosso blog, afinal, estudando, trabalhando e escrevendo livros, só mesmo com ajuda dela e de todos vocês!

Nós duas voltamos no próximo post com mais papo! Quem quiser se manifestar, só apertar essa coisinha rosa aqui de baixo óh!

Beijos!!!

Li e Lucy

6 comentários:

norma disse...

Oi Gente Linda!!!
Bom, eu acho q grande parte da opnião das pessoas são formadas por aquilo q elas assistem e sem nenhum senso crítico, sem discernimento algum, vêem o q passa nas novelas e acreditam q de fato aquilo é a vida real, sim mt do que passa nas novelas são fatos mas um pouco mais apimentada pra dar ibope e tmb manipuladas pra q as pessoas virem capacho daquilo q estão assistindo, pra mim tudo q vem da rede globo é suspeito, ta certo q a mídia é manipuladora mas a globo exagera.
Com relação ao que falam das mulheres do norte, do rj e das outras regiões de uma certa forma elas falam aquilo q ouviram e generalizam as pessoas, nao q isso seja certo mas msm ouvindo isso de mulheres de outro lugares temos q ser justas e conhecer antes de sair falando por ai algo do q nao se conhece e se de fato presenciou-se isso em certo lugar, com certas mulheres isso nao nos dar o direito de vulgarizar a todas
bjos a vcs

Li disse...

falou tudo, nem tenho o que complementar, assino embaixo linda!
beijos.

aninha disse...

eita!!!!!! a dupla L2 está arrebentando...rsrsr!!!!! meninas, passei pra desejar um ótimo fds e que tenham uma semaninha abençoada!!!!!! ei lucy, quero te conhecer... conheci todas as outras editoras... falta conhecer vc... venho apreciando muito seus textos!!!!! bjus meninas!!!!

aninha - autora de tão iguais e tão diferentes - um amor militar na maturidade

www.taoiguaisetaodiferentes.blogspot.com

Michelle disse...

Oi Lucy e Li!
é a primeira vez que passo aqui pra ler os textos,e que orgulho!Muito bom ver duas meninas inteligentes passando por alguns problemas iguais aos meus e sabendo transmitir o que sentem de forma tão leve.
Sobre o texto de vcs,fiquei lendo e lembrando de uma coisa que meu professor dizia sempre:Quem não tem idéias próprias acaba usando as idéias alheias.E eu complemento:usando e divulgando!
Estereótipos,pré-julgamentos...enfim,coisas que devem ser avaliadas!

bjos!

danuta_aguiar disse...

Eu acabei de me lembrar de uma conversa que tive há alguns dias. Foi com um tenente, amigo do meu namorado, que veio servir no quartel do meu amore. Ele veio transferido do Acre, onde serviu alguns anos; perguntei se ele não tinha uma namorada lá, ou se ainda não tinha se casado( me disseram que as mulheres da selva são lindas). Ele me respondeu: "O que é da selva, a gente deixa na selva". Fique meio sem entender o porquê.

Lucy disse...

Norma, concordo com a sua opinião e tipo, realmente a globo exagera! (risos)

Ah, aninha! Tb quero te conhecer! Gostei do "L2", depois me manda teu e-mail pra eu te adicionar no msn! =)

Michelle, bem vinda ao blog! Que bom q nossos txtos são agradáveis, fazemos com mto carinho! Espero q venha sempre ler e participar!

Danuta, que esquisito ele falar isso? Vale mtas interpretações, mas sinceramente, prefito nem pensar o que se passou na cabeça dele. (risos)

Queridas, estou tão feliz por vcs estarem gostando! Espero que voltem sempre para participar de nossas conversas!!! Bjo pra vocês!!! \o/