12/08/2007

Olhos de poeta


Li: _
Uma vez você queria se mudar, ir para longe e sair daí do seu Estado. E alguém te falou que não adiantava você querer se mudar para ser feliz, porque deveria encontrar a felicidade onde quer que esteja.

Lucy: _É... como se fosse uma forma de me refazer, começar do zero. Como se todas as tristezas pudessem ser encaradas como novas e, quem sabe, eu tivesse forças para conviver com elas no dia-a-dia. Como se fosse a primeira vez... (ah! Vejam esse filme porque é l-i-n-d-o!)

Li: _No meu convite de formatura escrevi uma frase bem simples: “A alegria não está nas coisas, mas em nós”. Lendo aqui um livro, sem querer eu encontrei um trecho que diz isso, fiquei feliz e vim para cá anotar no diário:

“Ela estava assustada com a felicidade. Assustada ao perceber que a alegria mora muito perto. Basta ver. A experiência poética não é a de ver coisas grandiosas que ninguém mais vê. Ela é a experiência de ver o absolutamente banal, que está bem diante do nariz, sob uma luz diferente. Quando isso acontece, cada objeto cotidiano se transforma na entrada de um mundo encantado. E a gente se põe a viajar sem sair do lugar... Aquilo que procuramos se encontra bem debaixo dos nossos olhos. Não é preciso fazer nada. Não é preciso viajar a lugares distantes. Coisa mais inútil haverá na viagem, quando os olhos vêem em preto-e-branco? Não é preciso também realizar grandes proezas de luta e trabalho _ pois a beleza já se encontra pronta ao alcance da mão... Dizia Blacke: ‘Ver um mundo num grão de areia e um céu numa flor selvagem’. E a loucura da poesia está justamente nisto: na compreensão de que basta que a beleza more dentro dos olhos para que o mundo inteiro seja transfigurado por eles... A felicidade nasce de dentro do olhar que foi tocado pela poesia.”

Perfect, isn´t?! Antes que me pergunte, Rubem Alves, claro!

Lucy: _Uau, que texto mais lindo! Sinceramente, você fala tanto do Rubem que eu vou começar a ler os textos dele! Mas, sim, ele tem razão: o ponto de vista determina a sua felicidade. Existem pessoas que olham para um copo com água até a metade e vêem um copo meio vazio, outras enxergam um copo meio cheio. Algumas são pessimistas, outras, otimistas. O melhor de tudo é enxergar a essência por trás das situações. A lição por trás da regra. Talvez possamos dizer ‘as cores por trás do preto e branco’, como uma forma de enxergar um possível colorido, aquele que existe dentro de você e que se projeta para o mundo se você permitir. Analise qualquer situação difícil e tente olhar por outros ângulos. Sempre há uma visão menos dolorosa, ainda que machuque. É por isso que dizem que a beleza está nos olhos de quem vê. Acredito que assim o é com a felicidade. Quando descobrimos a felicidade dentro de nós, carregaremos conosco para todo lugar. É por isso que não preciso mais me mudar, pois sinto o amor (de Deus e do meu namorado) dentro de mim que me faz feliz.

(Fonte da Imagem)

Li: _Quando estamos distantes de nossos militares, é como se víssemos o mundo assim preto e branco. Falta um colorido especial. Como, então, manter a alegria e a magia da vida, ou seja, sua poesia? Justamente vendo um céu em uma flor selvagem, digo, aprendendo a achar a alegria no tempo presente (mesmo que hostil) e sob as circunstâncias que nos são disponíveis, seja só ver uma vez por mês ou por semestre. Pois, se assim não for, estaremos bem próximas de tangenciar uma depressão, de transformarmos nossa vida em uma grande oportunidade de reclamar o tempo todo, de tudo. É uma tarefa dificílima, que quando aprendemos já estamos bem na reta final, porque leva tanto tempo. Eu, por exemplo, só agora, próxima à formatura dele consigo lidar melhor com a distância e despedidas.

Lucy: _Ai, Eli, eu também sinto isso, não apenas por causa da proximidade da saída (ele não virá para perto de mim ainda), mas, também, porque tenho me habituado a não me entristecer com as circunstâncias. É tudo um treinamento mental para não se deixar abater. É como dizem: “a força do hábito”. Vez em quando bate o desespero e vislumbrar os últimos momentos desse penta (cinco anos de formação) me dá forças para suportar. De qualquer forma, essa sensação de que estamos nos últimos metros da corrida nos faz “dar o gás” porque só faltam mais alguns passos! É muito bom esse gostinho de “estamos quase lá” quando o fim significará o início de uma nova fase, agora, com o homem que amo ao meu lado em todos os momentos, ou, pelo menos, não mais distante fisicamente! Poxa, Eli... estamos quase lá!!! \o/

Li: _ Bem lembrado! Estamos chegando lá, faltam quase 100 dias! Olha, Lu, mesmo que nós duas não sejamos poetas, precisamos ter um "olhar poético" sobre a vida a fim de enxergarmos os problemas com esperança, sem desânimo, ou pessimismo!

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