13/07/2007

O amor correndo pelo coração

"Deita no meu leito e se demora/Na vida só resta seguir/Um ritmo, um pacto, um gesto rio afora"
(É você -
ouvir - /Tribalhistas)



O meu pai tem um sítio. Na verdade, era do meu avó. Agora, herdado pelo meu pai. Não importa, nem vamos lá. Muito longe e só mato, é o que sempre diz minha mãe. Mas o fato é que no sítio havia uma fonte de água há muito tempo que secou. Conta meu pai, com sua voz saudosa de bom contador de histórias, que era uma água limpa e cristalina que corria entre as pedras, do alto do morro e “varava” (adoro o jeito matuto de narrar as coisas) lá perto do tanque de lavar roupas e caia na cacimba. Cacimba diga-se um pequeno poço. E essa água secou.

Meu pai que gasta dinheiro para plantar capim, outra frase de minha mãe (já deu para perceber que esse sítio é uma “querela de família”?!), resolveu capinar tudo e plantar grama. Deixou apenas algumas árvores. Para evitar os cachorros do mato e aquela peste de cobras que invadem a casa do meu tio sem hora do dia. Eis que milagrosamente a umidade voltou e a água cristalina está correndo dia e noite e enchendo um poço. Meu pai contou essa notícia com os olhos tão brilhantes de alegria, que por algum momento entendi, ou melhor, senti, o significado daquilo para ele, mesmo a 5 horas de distância de nossa casa.

E essa água estaria totalmente deslocada do nosso blog, se não fosse essa lembrança vir a tona com o texto que eu pretendia começar a dois parágrafos acima sobre o amor como um rio. A água brotou na minha memória e interrompeu o percurso do meu pensamento.

Quando nós ficamos magoados com a pessoa que amamos nossa água da vivacidade seca. Passei uma semana assim. Sem uma gota. Magoada, amargando a sequidão do rancor. É devastador descobrir o erro e erro grave de quem gostamos muito. E pior, que a pessoa nem se deu conta que errou, porque nem achou que estava errado. É um fiasco, as comportas da alma se abrem e descem feito rio Guandu. Tome-lhe lágrimas e olhos de ressaca para chorar.

Uma amiga me perguntou, “então, pensando em terminar?”. Eu disse: “Não! Lógico que não!”. Ela franziu a testa, suspendeu as sobrancelhas e não entendeu nada. Ora, para que então, amargar? Para punir. Que desejos mesquinhos pode habitar o coração de quem ama?! Uma hora dá saudade daquela “água viva que renova” chamada amor. Mas é preciso ceifar todo o ódio, capinar cada erva daninha da vingança, se quiser que o amor corra mais uma vez que pelo coração. Não adianta, que o amor não é capaz de brotar onde não há umidade, que rima com humildade. É preciso ser humilde para oferecer o perdão. Pensa que só quem pede perdão tem que ser humilde? Não! Quem dá o perdão tem a chave de tudo na mão e por arrogância pode passar todo uma vida com ela, mesmo que apenas tê-la na mão não sirva para nada.

Então, após bater o telefone, tomei uma atitude. Incrível como a vida toda muda com uma atitude. Toda vez que você perceber que está pensando demais, não pense, tome uma atitude! Nossa, isso poderia ser um típico comercial de refrigerante. “Tome uma atitude... beba...” As aulas de publicidade estão subindo à cabeça.

Eu peguei o telefone e disquei. Sabe quanto pode ser agonizante o tempo entre o “tu tu tu tu” e você dizer alô? “Oi, você? O que quer?”. O que quero? Ótima pergunta! Cadê que sai qualquer voz dessa garganta? Nada, entalado. Socorro, fiquei subitamente muda? Ai, sempre uma frase bem idiota, aquela mais imbecil que pode sair de dentro de você sai: “Ah, é que eu tinha desligado... E pensei que... Talvez você quisesse falar mais”. Putz! Que péssimo. Mas aquela coisa patética que saiu da sua boca é o primeiro passo, como aquele primeiro passo do meu pai, plantando capim. E depois de um tempo, e de um “Eu te amo demais” no fim da ligação, a água vem descendo de macinho, da nascente, molhando toda a alma outra vez com o amor. O amor que me faltou e muito, o amor que já sem o qual não sei viver. Que dá um enorme sentido a tudo, mesmo que me custe acreditar que ele é estimulado em mim por uma pessoa que é tão cheia de erros e manias como eu, que é imperfeita e humana como eu. Mas que é dela que eu preciso.


Eu poderia continuar assim, séquida. Com a chave da razão fechada no punho. Meu Deus, do que vale ter a razão, se é para estar sozinha? Ter o título de certa, se para isso ficarei sem o outro de que preciso? É melhor abrir a mão e oferecê-la com gratidão. Porque nada melhor que as delícias de um abraço quente, de um cheiro gostoso na pele rosto no rosto e um beijo úmido, como úmido é o amor e a vida.


Um beijo a todas, porque minhas férias começam amanhã, depois das duas horas da tarde, em um certo portão de desembarque! Se tudo ficar quieto por aqui, não se preocupem, não morri. Vou estar mais viva do que nunca.

Li Mendi.

3 comentários:

feriele disse...

amiga que bom q vc está bem...fico muito feliz msm..vc sabe q pode contar comigo neh...

bjs p vc;...t+

aninha disse...

suas férias começando e as minhas acabando!!!!! que triste!!!!!

meninas, capitulo novo no romance militar tão iguais e tão diferentes

www.taoiguaisetaodiferentes.blogspot.com

Plincesa Lucy disse...

E isso é lindo.
"Românticos são lindos... que mesmo certos vão pedir perdão" e é por isso que os românticos passam muito mais tempo amando do que os outros... que preferem guardar a razão na mão, a raiva no coração e acabam perdendo muito tempo.

Ah, Li, quando temos alguma discordância que um dos dois se magoa, ficamos ali, abraçados até chegar um momento em que um dos dois se manifesta, terminamos por resolver a coisa toda. Perdão. E pronto. Da mesma forma que nada nem ninguém pode nos separar do amor de Deus, nada faz com que fiquemos afastados, meu namorado e eu. \o/

Admiro sua humildade em reconhecer as atitudes e admiro-te ainda mais por ter tido a coragem de se redimir com ele. *emocionada*

Te adoro, Li! Bjo grande!!!