23/07/2007

Não pensar apenas em si

Saudade é entrar na sala e de repente me dar conta que você não está, porque o instante tenta reacontecer na lembrança e não consegue. Por isso, dói.

É estranho você aqui todos os dias, ao meu alcance e em questão de horas estamos a tantos quilômetros de distância. Não posso, mesmo querendo com todas as forças, sentir seu abraço forte e colar meu nariz no seu.

A sala grande, vazia, onde está o seu laptop, onde está você concentrado em alguma coisa importante para eu te roubar um beijo no pescoço? Parece tão injusto aos que se amam de verdade ser privado da presença física do seu parceiro, com tanta gente por aí desperdiçando a chance de ser feliz, brincando de se relacionar.

Nós, diferente, por sabermos do valor incalculável de um abraço e de um beijo, conseguimos sentir um amor maior. As pessoas hoje em dia querem uma transa rápida, uma ficada sem compromisso, há um medo e receio de ter que se doar, de ser fiel, de se desprender. Vejo cada vez mais egoísmo no coração das pessoas e também em suas visões sobre uma vida a dois “sem perdas”.

Para mim, pelo menos, que amo um militar, a vida está me ensinando grandes lições sobre deixar de pensar só em mim e olhar como é estar do outro lado. Aos poucos, a paciência torna-se uma virtude e um comportamento que evita reclamar das dificuldades. Aprendo que não posso ter o que quero e que tenho que tirar de mim as forças que não imagino ter para seguir em frente. Não é fácil, vejo muitas abandonarem o barco pelo caminho, ouço os espectadores à margem, torcendo contra “Pula! Pula!”.

Quando me reencontrei com a casa vazia, senti que ia explodir em lágrimas. Respirei fundo. O que adianta se descabelar, enterrar a cara no travesseiro? Arrumei a cozinha, dobrei as roupas do varal, limpei a casa. Fui ocupando as mãos para que a cabeça não fizesse o corpo padecer.

A saudade ainda está muito forte, a faxina não a diminuiu. Taí uma ótima estratégia que venho aprendendo: não adianta colocar nada no lugar de quem ama, como também não adianta menos ainda o reverso, colocar minha tristeza nas coisas que estão fora de mim.

Tento fazer dessa tarefa de transformar a dor em bons atos uma filosofia de vida. Imagine se a cada vez que eu sentir que tudo está difícil para caramba eu começar a praguejar contra os sete cantos palavras de derrota? Eu vou cavar o meu próprio buraco e puxar as outras pessoas junto.

Lembram que eu falava agora pouco do egoísmo? É egoísta pensar apenas na minha saudade enorme e infernizar a vida dos que precisam de mim com lamúrias. Nem sempre consigo, não sou daquelas que buscam a perfeição, mas que se esforça para não ter pelo menos atitudes pessimistas.

A vida é um ponto de vista. Eu poderia, por exemplo, ver esta semana de duas maneiras.

Tirei dois sisos, comi sopa gelada de liquidificador, fiquei de cama alguns dias morrendo de dor, sem poder falar. Tudo isso justo na semana que meu namorado está de férias aqui.

Ou.

Tirei dois sisos, pude contar com o apoio do meu namorado, que baixou vários filmes para a gente ver, já que eu não podia sair de casa. Ele ficou ao meu lado marcando o horário dos remédios no relógio, segurou minha mão, enquanto eu chorava de dor, me fez companhia até eu dormir e não me deixou nenhum segundo.

Como podem perceber, nem sempre é pela alegria que a vida nos dá oportunidade de enxergar certas lições. Às vezes, pela dor ela pode se tornar inesquecível. Agora que estou melhor, ele se foi. Que ironia do destino.

Preciso tanto dele, mas não o tenho, está tão longe. Mas a vida segue e eu vou seguir firme e forte com minha missão de ajudar as pessoas.

Estou com saudade de vocês. Como eu não podia ficar de cabeça baixa, evitei o computador. Mas já estou de volta com o meu romance da Bela e também com o meu livro de entrevistas.

Aliás, leiam com carinho o bate papo que tive com a Brenda. Olha o milagre que Deus fez na vida dela! E também confiram a conversa com a Verônica, uma mulher maravilhosa que luta por seu amor militar. Tá imperdível! (clique aqui)

Participem mais do blog, meninas. Enviem seus textos para nós contando como foram as férias com seus amores. Sinto falta da mãozinha de vocês. Devemos ser mais solidárias umas com as outras. Quem não quiser publicar seu nome aqui não precisa, podemos postar o texto em anônimo. O importante é dividirmos nossas forças! Olha o e-mail: amormilitar@yahoo.com.br (Só eu tenho a senha, não se preocupem)

Li Mendi.

3 comentários:

Plincesa Lucy disse...

Eu creio que tudo o que Deus permite que nos aconteça é porque Ele está nos preparando para algo lá na frente. Em um amor como o nosso, é importante que haja muitas provações no início para firmarmos a nossa decisão e aprendermos a enfrentar tudo, com ou sem eles.

Eu vejo a sua semana como no segundo ponto de vista e acrescento: Deus permitiu que ele estivesse aí justamente na semana que você mais precisaria dele e o levou só depois que você estava melhor, quando Deus sabia que você poderia continuar sozinha. Eles ainda têm que terminar suas lições dentro da AMAN e nós, aqui do lado de fora, precisamos aproveitar cada segundo longe deles pra aprender a nossa lição: de força, humildade, desprendimento, paciência e todas as outras virtudes para que, quando eles sairem de lá, nós estejamos prontas para acompanhá-los em suas respectivas missões. Seremos o braço direito, o porto seguro, a mulher que completa e que, sem nós, eles seriam apenas metade de si mesmos (ainda que felizes).

Deus dá a cada um aquilo que pode suportar. Nem mais, nem menos. Ele sabe a força que temos o os nossos limites, sabe também que podemos ir além, se realmente quisermos. Muitos pulam do navio sem nem saber se, realmente, estavam em perigo. Outros ficam até que ele afunde. E querem saber de algo? Em muitas das vezes, quem pulou antes morre afogado e quem ficou consegue se sobreviver, é encontrado pelo resgate que Deus enviou para salvar aquele que foi fiel até o fim e buscou vencer seus próprios limites e, mais, não abandonou o seu amor.

Se você ama, lute pela felicidade. Se você não ama, libere do compromisso. Porque é melhor sofrer no início para terminar algo que não se tem a intenção de continuar, do que insistir em regar uma planta já sem a essência da vida. Sem o amor.

aninha disse...

arrego!!! a Lucy gosta de escrever...rsrsrs!!!! ai... eu ando num sentimentalismo tão horroroso que da medo!! nem sei o que dizer aqui hoje!!! bjus meninas!!

Jéssi disse...

OIiiiiiiiiiiiiiiii..... Nossa Li... é muito bom quando estamos doentes podemos contar com nossos amores do nosso lado...
beijos