02/07/2007

Belíssimas e admiráveis mulheres!


Mesmo que você só vá a uma banca de jornal comprar seu ingênuo jornal, ou uma revista de fofocas, lá estão ao fundo a pilha de revistas “masculinas”. Mulheres sem estrias, sem barriguinha, sem espinhas ou quaisquer sinais. Uma verdadeira boneca de plástico para moldar o imaginário dos homens. A mulher sexualmente ideal nestas publicações é aquela sem deformidades e com plus em tudo: seios, bunda, perna, lábios.

Quando falo retoques digitais não estou dizendo para aquelas “que precisam”, mas para todas. Veja, por exemplo, o que um PhotoShop pode fazer,
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Enquanto o arquivo está baixando, continuemos o post de hoje. As mulheres por outro lado também possuem uma indústria dos “homens perfeitos” para o deleite dos seus olhos. Braços torneados, peitoral, barriguinha “tanquinho de lavar cortina”, pernas, tornozelos e... muito mais...rs.

Mas, quando você olha nas ruas, no ônibus e para o seu próprio espelho, vê a ação do tempo, das ruguinhas, dos sinais, das cicatrizes, das espinhas, da calvice, da barriguinha. Que cruel ser normal. Não exatamente cruel, quando nos damos conta que não somos ocas e nossa beleza exterior se soma com a beleza interior.

Na China, por exemplo, algumas mulheres estão fazendo operação para “abrir mais os olhos” e ficarem um pouco ocidentais. Outras cortam os ossos da perna, prende-os com ferros e esperam por meses calcificarem outra vez, para aumentarem a altura. Mesmo sabendo que muitas outras mulheres que já tentaram isso ficaram em cadeiras de rodas. O que move as pessoas a se esfaquearem, a se furarem por completo e sem limite? A baixa auto-estima, por certo.

Comprar uma roupa nova, fazer limpeza de pele, unhas, cabelo e tudo que você desejar não é errado. Menos ainda malhar, praticar esportes ou coisas do gênero. Eu quero chamar atenção para os sentimentos que nos movem a fazer tudo isso. Deve ser por amor próprio e não para ser a Gisele, ou aquela modelo da novela. Ter uma identidade e uma personalidade é muito importante.




Mais ainda quando se é uma mulher que ama um militar. Já ouvi de más línguas: “Nossa, ele é um militar e está com uma mulher tão feinha, cruzes!”. Feinha? Bom, então, por que mesmo será que ele a ama?

Será por que ela está ao seu lado, quando ele resolve se transferir?

Será por que ela cuida de seus filhos com devoção, enquanto ele deslancha em sua carreira?

Será por que ela tem dupla jornada de trabalho, chega do serviço cansada e ainda joga as fardas na máquina de lavar?

Será por que ela tolerou anos de estudo dele, morando muito longe e disputando um fim de semana em sua agenda?

Será por que ela engoliu os scraps das “zinhas” no orkut dele e não deixou seu relacionamento ir por água abaixo?

Será por que ela já chorou horrores de saudade e não o abandonou?

Será por que ela vê beleza nas formaturas, na farda e tudo que rodeia o mundo do seu homem?

Será por que ela faz massagem em suas costas depois do campo com creme e está sempre pronta com sua caixinha de curativos para cobrir aquele machucado de serviço?

Será por que ela consegue ficar vendo Jô Soares no sofá da sala, quando ele tem que ficar de plantão e não reclama?

Será por que ela abandonou seus pais, sua família, sua casa, seu conforto para segui-lo?

Será por que ela aceitou outros empregos fora da sua área em cidades que não tinham mercado para sua profissão e tentou ser feliz assim mesmo?

Será por que ela engoliu muito sapo e muito preconceito de agoradores que não acreditavam na fidelidade do seu parceiro?

Será por que ela teve que manter a pose e o glamour, mesmo com as Maria batalhão tietando seu amor?

Será por que ela todos os dias tenta ser mãe- mulher- irmã- amiga- conselheira em uma única pessoa?

A beleza, como podem ver, não pode ser moldada com uma agulha, um bisturi, ou uma palheta pantone do PhotoShop. É preciso muito mais. Às vezes, é quase sobre-humano.

Mulheres que amam um militar, vocês são belíssimas!

Se alguém algum dia te olhar de cima abaixo e fizer qualquer ar de inveja ou desprezo, não se abalem. Quem quer e reclama, tem que vir e fazer melhor. E como eu e você sabemos bem o peso e a dificuldade de nossa tarefa, podemos rir superioras, porque nessa guerra nós sim somos fortes como os 300 de Esparta!

Ontem, eu estava chorando, triste, arrasada, porque tem dias que é foda. Desculpe a palavra, mas ela é pequena e consegue dizer bastante. FODA a distância, tem horas que eu surto. E uma amiga de muito longe no msn me lembrava tudo que eu já tinha conquistado até aqui. Me recordava o nick do meu msn em “contagem regressiva para o aspirantado”. Me dizia que a vida é muito curta e que talvez fosse bom eu abandonar a raiz e conhecer o que o mundo aqui fora tem a oferecer, já que ao morrer não vou levar dinheiro, nem bens. Tenho um medo tremendo de no futuro me perguntarem onde cheguei profissionalmente e eu não poder dizer muita coisa... Por causa da escolha que tomei.

Não é fácil para ninguém. Se você ainda está sentido a dor da despedida do último fim de semana, se está aí sonhando e contando nos dedos para as férias, eu também, nós todas também. Não estamos sozinhas! Nós somos e devemos nos orgulhar de ser admiráveis. E não digo admiráveis para os invejos, mas para nossos militares!

No convite da minha formatura pediram para eu colocar uma frase. E eu escrevi: “A alegria não está nas coisas, mas em nós”.



Li

3 comentários:

Jéssi disse...

Lindo Li..... muito bom mesmo...
somos realmente muito fortes.... vcs entao..... sao ainda mais fortes.....
beijos meninas...

Quel disse...

Somos fortes individualmente, mas acho quje principalmente pq estamos nisso juntas!!!SEmpre tentando ajudar umas as outras!Principalmente a dona Li!!
Mais um texto lindo!!!
Bjuss

Fernanda disse...

Ai Li!Amei o seu texto...Que Deus abençoe essa cabeçinha q escreve tanta coisa linda e cai como uma "luva" na nossa vida!bJs